'Meu papel era ficar quieta', diz primeira senadora eleita

Em seu primeiro dia de mandato, Eunice Michiles foi recebida com flores e poesias. Era 1979 e ela chegava ao Senado como suplente de João Bosco, parlamentar da Arena eleito pelo Estado do Amazonas, que morreu dois meses depois da eleição. "Foi uma recepção muito carinhosa, é verdade. Mas não era usual um senador ser recebido assim. Então, foi também profundamente discriminatória", lembra Eunice, hoje aos 81 anos.

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2010 | 00h00

A primeira senadora da história do Brasil foi a princesa Isabel. Eunice tem o título de primeira senadora eleita, ainda que como suplente. Sua formação evangélica e sua origem a aproximavam naturalmente de alguns temas centrais de luta: a liberdade religiosa, a proteção da Amazônia e a promoção da mulher. "Meu papel no Senado era ficar quietinha, me comportar como uma dama", diz. "Aos poucos, fui me fazendo ouvir e cheguei a me eleger deputada federal, participando da comissão que discutiu a Constituição de 1988."

Eunice também teve participação marcante na indicação da primeira ministra do Brasil, Esther Figueiredo Ferraz. Por meio do Movimento da Mulher Democrática Social, ligado ao PDS, partido que sucedeu a Arena no apoio ao regime militar, ela pediu ao presidente João Figueiredo a nomeação de Esther para o Ministério da Educação. Foi atendida em 1982. Hoje, dedica-se a atividades na Igreja Adventista.

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