MFP encontra irregularidades em empresas do Tocantins

Duas empresas de Tocantins que estão sendoinvestigadas pelo Ministério Público Federal podem ser um elo de ligação de supostas irregularidades nas Superintendênciasdo Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).Auditores do Ministério da IntegraçãoNacional constataram que a Palmatex ? Indústria Textil e a Tocantins Artefatos Plásticos, de Araguaina (TO), receberamrecursos tanto do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam), como do Fundo de Financiamento do Nordeste (Finor).As duasempresas têm, entre seus sócios, pessoas que também são acionistas de outros grupos no Nordeste, aparentemente deuma mesma família.A principal suspeita levantada contra as duas empresas em Tocantins é a contratação da Construtora Construir Ltda, deCampina Grande (PB), que foi criada sete dias antes da aprovação do projeto de Araguaína.Os endereços e telefonesconstantes das notas fiscais emitidas para a Palmatex e a Tocantins Artefatos Plásticos não existem, e, na documentaçãoapresentada à Sudam, foram constatadas diversas irregularidades, inclusive a possibilidade de falsificações de assinaturas.Além disso, as duas empresas fizeram o contrato com a Construir, no valor de R$ 4,5 milhões, antes mesmo de receber osrecursos da Sudam (em torno de R$ 4,6 milhões).?Está evidenciada a criação da construtora no Estado da Paraíba paraexecutar os serviços em Tocantins?, conclui o relatório dos auditores.Tanto a Tocantins, como a Palmatex, têm comoprocurador Raimundo Antônio da Silva Barra, irmão de Maria Auxiliadora Barra Martins, acusada de ser uma das principaisenvolvidas nas fraudes da Sudam.A Tocantins Artefatos Plásticos teve um financiamento de R$ 2 milhões da Sudam. O sócio majoritário da empresa é aFazenda Franco Brasileira, que já foi beneficiada com dinheiro da Sudene.Outro sócio do empreendimento, Fabiano ChurchillNepomuceno César, é sócio também da Frasa (Fazendas Reunidas S/A), que teve financiamentos do Finor e possui 40% doprojeto Palmatex, financiado pelo Finam.Na Palmatex, além da Frasa, faz parte do quadro de sócios José Ricardo de Menezes Cirne, que também é acionista daFicamp S/A, outra beneficiada com recursos da Sudene.Na formação do conselho de administração da Palmatex, FabianoChurchill e Maria Cecília Nepomuceno César aparecem como presidente e diretora financeira.Maria é também sócia daTocantins Artefatos Plásticos, mas também tem 7,5% da empresa Alimentos Protéicos do Norte (Pronorte) e da Fazenda Pontada Serra, que receberem dinheiro da Sudene.Segundo o relatório do Ministério da Integração Nacional, os dois têm raízes na Paraíba, onde foi criada a Construir, querecebeu dinheiro dos dois projetos em Tocantins.Conforme a junta comercial do Estado, a principal sócia da construtorachama-se Maria de Fátima Nepomuceno, mas não revela se há parentesco entre os três. Fabiano Churchill não foi encontradona sua empresa, a Ficamp, em João Pessoa.Segundo o deputado Avenzour Arruda (PT-PB), integrante da CPI do Finor, os negócios feitos pelos empresários utilizandoduas fontes oficiais de financiamento, pode ser um argumento para que eles não dêem a contrapartida necessária para aliberação dos recursos.?Quando há concentração de recursos num só grupo, a contrapartida não existe porque eles dão comogarantia o que está sendo financiado por outra fonte. Ou seja, os recursos já liberados pela Sudene servem como contrapartidapara os recursos que serão liberados pela Sudam.?

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