MG decreta emergência em 41 cidades

A Defesa Civil de Minas confirmou a morte de mais uma vítima das enchentes no Estado: a 12ª. Walter Resende de Oliveira, de 57 anos, morreu afogado na cidade de Cataguases, na Zona da Mata. Até o momento, o Estado registra mais de 28 mil desabrigados e desalojados, além de 288 pessoas feridas e um total de 151.920 afetadas pelas chuvas na região. De acordo com o último boletim, subiu para 41 o número de municípios mineiros em situação de emergência. O número de casas danificadas passa de 13 mil e outras 133 foram completamente destruídas pelas enchentes e pelos deslizamentos de terra.As chuvas que castigam cidades da Região Metropolitana desde domingo deram uma trégua ontem, mas a previsão para hoje é de mais chuva. Uma nova frente fria reforça as áreas de instabilidade e o tempo permanece chuvoso no sul e no oeste de Minas, na Zona da Mata e na Grande Belo Horizonte. Isso quando as populações atingidas já viviam a expectativa de quando poderiam voltar para suas casas. Nas cidades de Betim e Mário Campos, bairros inteiros permanecem alagados.Desolada, Maria Conceição da Silva, de 65 anos, moradora da Colônia Santa Isabel, em Betim, observava no fim da tarde sua residência tomada pelas águas do Rio Paraopeba. A enchente cobriu parte do bairro - que teve origem na colônia de doentes da hanseníase, criada na década de 1930 - e deixou cerca de 200 famílias desalojadas, a maioria abrigada em escolas e galpões da cidade, segundo a Defesa Civil.Maria Conceição, que se internou na colônia em 1955, ainda criança, foi obrigada a se refugiar na casa de uma irmã e torcia para que a estiagem perdurasse para poder retornar. "Moro sozinho com minhas criações, mas a água invadiu tudo, não dá para voltar.O jeito agora é pedir a Deus para a água abaixar. Não perdi muita coisa porque já não tinha quase nada." A água inundou praticamente toda a parte central do bairro. Alguns moradores alugaram um barco para transitar de um lado a outro.INTERDIÇÃOMorador do bairro Citrolândia, também bastante atingido pela inundação, o mecânico Raimundo Evaristo de Andrade, de 42 anos, seguiu até a cidade vizinha de Mário Campos na esperança de conseguir gasolina para levar os parentes para um local mais seguro. Mas ficou parado na estrada estadual, completamente alagada. "A gente fica muito apreensivo porque sabe que o risco de doenças agora é grande."Perto dali, Raimundo Dias, de 74 anos, foi obrigado a deixar a casa onde mora com a mulher e uma filha. A residência ficou encoberta pelas águas. "O que me preocupa é tudo desabar, porque é uma casa de 70 anos, sem estrutura, feita de barro. Já estou pensando em desfazer disso e ir para outro lugar", diz, resignado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.