Michelangelo original, em SP

Exposição é parte da revitalização do MuBE, que vai reduzir eventos para retomar vocação artística

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Jacob Klintowitz foi contratado com a difícil missão de mudar o significado da letra "e". Jornalista, crítico de artes e autor de 106 livros, ele ocupa desde junho do ano passado o cargo de curador artístico do MuBE - espaço cultural na zona sul paulistana que oficialmente se chama Museu Brasileiro da Escultura, mas que passou a ser mais conhecido pela alcunha de Museu Brasileiro de Eventos. "Havia muito interesse subjetivo por aqui", diz, muito polidamente. "Acho que esqueceram que o museu existe somente para servir à cidade."Klintowitz tenta aos poucos resgatar a instituição para fins mais nobres do que o simples aluguel para eventos, feiras de antiguidades e exposições duvidosas que viraram a marca do MuBE nos últimos anos. A pendenga judicial com a Prefeitura, que queria retomar a posse do terreno cedido na Avenida Europa para transformá-lo em espaço público, foi finalmente resolvida - o museu ganhou dois processos e um terceiro foi arquivado. Quinze exposições foram realizadas em 2008, o número de cursos cresceu 200% e a média de público aumentou de 2 mil pessoas por mês em 2007 para 6 mil neste ano. A ponta mais visível dessa transformação ainda está por vir. Em outubro, o País receberá pela primeira vez no País uma megaexposição com 28 obras relacionadas à carreira do pintor, arquiteto, poeta e escultor italiano Michelangelo. Com ênfase no "e" de escultor. "Teremos 2 desenhos originais e 26 esculturas que são emblemáticas da arte ocidental e da própria revitalização do MuBE", diz o curador. O investimento da exposição, que ficará 60 dias em cartaz, é estimado em R$ 1,5 milhão, bancado por quatro patrocinadores. "Queremos prestar um serviço à cidade, às pessoas, que é justamente o objetivo de ter um espaço como esse. O museu é feito para mostrar arte, simples assim."Ainda sem nome, a exposição será dividida em quatro áreas: clássica (com réplicas de obras históricas como Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia); artistas contemporâneos ao artista (como Jacopo della Quercia e Andrea Verrocchio); seguidores de Michelangelo (como Gian Bernini e Vincenzo Danti) e uma sessão reservada a Michelangelo. Nesta última, estarão nove réplicas feitas nos moldes originais do gênio italiano, com obras ímpares como Davi, Busto de Bruto e Pietà. É a primeira vez que cópias autenticadas dessas esculturas vêm ao Brasil. Os dois desenhos de Michelangelo são ainda mais preciosos - originais de Madonna col Bambino e Nudo di Schiena, que nunca saíram de solo italiano. "Isso é histórico", diz o empresário Jorge Landmann, presidente do MuBE, que também assumiu no ano passado. "O valor do seguro é impublicável, por contrato. Mas teremos de ter luz especial, guarda armada sempre ao lado e todos os apetrechos de segurança para garantir a integridade desse patrimônio da humanidade." Os ingressos para a exposição irão custar R$ 12 - para efeito de comparação, a entrada para Star Wars Exposição Brasil, na Bienal, saía por R$ 30. "Acho que em um ano fizemos muita coisa no MuBE e ainda faremos muito mais", diz Landmann. "Calamos os críticos, reorganizamos a casa e profissionalizamos a gestão."

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