Mídia internacional destaca os escândalos de corrupção que acompanharam a campanha eleitoral

De acordo com o diário econômico Financial Times, a última semana da campanha eleitoral que aquece a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) está se transformando em uma ?competição genuína?. O jornal atribui a queda de Lula em pesquisas recentes ao escândalo do dossiê, mas também lembra que a renúncia do ministro Antonio Palocci e a revisão das taxas de crescimento anunciada pela Confederação Nacional da Indústria também têm o seu peso. ?Adicione a isso o descontentamento do País com a vacilante reação dada à Bolívia na nacionalização de propriedades da Petrobras e o caminho parece livre para o candidato de oposição, Geraldo Alckmin, forçar Lula a um segundo turno?, argumenta o jornal, que, no entanto, lembra que Lula ainda tem uma base eleitoral forte nas camadas mais pobres, beneficiado pelas conseqüências da inflação baixa e de programas sociais.O periódico americano The New York Times também trouxe uma matéria sobre o pleito do próximo domingo e lembrou que "há um ano, o presidente Lula teve sua legitimidade minada pelo maior escândalo de corrupção no história moderna do Brasil", mencionando o escândalo do mensalão.O jornal cita que apesar das denúncias de corrupção, Lula, segundo as pesquisas de intenção de votos, tem grande chance de ser reeleito já no primeiro turno como resultado de "generosos programas sociais". O NYT cita também a estratégia do presidente de se distanciar dos escândalos de corrupção e também de seu partido - que espera perder muitas cadeiras no Congresso. O italiano La Repubblica destaca também a determinação do presidente em reafirmar sua campanha apesar de tantos percalços. O jornal diz que a imagem de Lula tem demonstrado forte resistência a escândalos, seja porque "o brasileiro comum ache que a corrupção é uma coisa endêmica (...) e não é pior com o PT do que era no passado, ou seja porque nos últimos três anos e meio o Brasil passou por uma pequena revolução social que teve Lula como motor e príncipe?, diz o artigo. ?Não só a economia cresceu e a inflação despencou, mas pela primeira vez em décadas houve uma redistribuição de renda graças à qual alguns milhões de famílias saíram do inferno da pobreza, conquistando para si algumas das benesses da classe média?, afirma o La Repubblica.Já o também italiano Corriere Della Sera, critica as tarifas protecionistas americanas que fazem com que o Brasil exporte somente 5% do etanol consumido nos Estados Unidos num momento no qual o próprio presidente americano, George W. Bush, classifica seu país como ?viciado em petróleo?. O jornal afirma que "o etanol brasileiro, combustível alternativo que todos aqui chamam de álcool, está na mira do mundo todo?, e cita o entusiasmo com o programa brasileiro de álcool demonstrado por gente como Thomas Friedman, importante colunista do New York Times, Sergey Brin e Larry Page, fundadores do motor de busca Google e o mega-investidor George Soros.O argentino La Nación reproduziu os principais trechos do discurso do presidente e candidato Lula no domingo, em Sorocaba sob o título: "Confiado, Lula diz que ganhará no primeiro turno". O jornal também cita a pesquisa divulgada pelo Ibope nesse domingo pelo Estado, que aponta para 52% da preferência do eleitorado por Lula.O mesmo jornal reproduziu a reportagem do The Wall Street Journal: "Embora Lula se encaminha à uma reeleição, esta lhe pode sair cara". O texto afirma que a possível vitória de Lula "não será grátis" e explica: "Devido em parte à estratégia divisória que o presidente escolheu para desviar as acusações de corrupção e garantir sua reeleição, o Brasil experimenta um nível inusitado de polarização entre as classes econômicas e sociais e regiões geográficas".The Wall Street afirma que "isso poderia dificultar à Lula a tarefa de acumular apoio para tomar medidas que, segundo os economistas, o Brasil necessita para aproveitar seu potencial". O Clarín comenta sobre o ato público "Por Um Brasil Decente", convocado pela oposição, que busca reduzir a vantagem de Lula nas pesquisas e forçar um segundo turno. O jornal diz que é "um chamado aos intelectuais, artistas e profissionais e não inclui sindicalistas nem estudantes porque a intenção dos organizadores não é reunir massas: aguardam apenas umas 3 mil pessoas no máximo".

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