Milhares de pessoas ocupam as ruas de SP

Início da festa de 24 horas teve, entre outras atrações, Cesaria Évora

Adriana Carranca, Aline Dauroiz, Jotabê Medeiros, Livia Deodato e Lauro Lisboa, O Estadao de S.Paulo

26 de abril de 2008 | 00h00

Eram 18h22 quando o palco montado na esquina da Avenida São João com a Rua Aurora se iluminou e os batuques da banda da cabo-verdiana Cesaria Evora começaram a tocar Nutridinha. No céu, fogos coloridos marcavam o o início oficial da 4ª Virada Cultural. Cesaria, a dama africana de 67 anos, subiu ao palco assim que eles terminaram, às 18h26, cantando Vaquinha Mansa em português arrastado. E animou o público em 1h15 de show. "Já toquei muitas vezes no Brasil, mas nunca com esse tanto de gente. É um espetáculo magnífico, como nunca vi", disse. Às 21 horas, foi a vez de Gal Costa homenagear os 50 anos da bossa nova e tirar o público do chão. Em Chega de Saudade, as pessoas cantaram tão alto que Gal ficou em silêncio. Ela saiu às 22h10, mas não resistiu e voltou com Trem das Onze e Sampa. Terminou com um "Te amo, São Paulo".Só na São João eram esperadas 20 mil pessoas até o fim da noite. Entre elas, muitos estrangeiros. De outras regiões do País também vieram turistas. Como o economista Aquiles Munarin, de Florianópolis. "Não vou ter outra chance de ver tantos shows bons num só lugar."Muita gente acompanhava a festa dos prédios. O Hotel Hollywood, por exemplo, alugou seis apartamentos - a R$ 38 cada - para pessoas verem shows de camarote. E a maioria dos bares abriu as portas. Para evitar ambulantes, a Guarda Civil Metropolitana fez blitze-surpresa.No Teatro Municipal, as filas para ver Luiz Melodia recriar as maravilhas de seu disco Pérola Negra (1973) começaram cedo. O cantor entrou às 18h06 e entusiasmou o público em 50 minutos de show. Muita gente ficou de fora e teve de acompanhar do telão. Às 21 horas, uma baixa. O músico Egberto Gismonti ficou doente e teve de cancelar a participação ao lado do percussionista Naná Vasconcelos. No Anhangabaú, as cerca de 500 cadeiras começaram a ser ocupadas duas horas antes do espetáculo de dança de Ana Botafogo e do Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que interpretaram o segundo ato de Giselle a partir das 18h47 e foram seguidos de curto e emocionante, solo de Luis Arrieta. A 45 quilômetros, o cantor, compositor, escritor e filósofo Jorge Mautner fazia um insólito show no CEU Azul da Cor do Mar, na Cidade AE Carvalho, para 300 pessoas, cuja média de idade estava entre 7 e 10 anos - adultos não passavam de 10. Aos 67 anos, o guru tropicalista não se fez de rogado. De violino em punho, conversou com o público, falou do positivismo de Augusto Comte, do niilismo de Nietzsche e tocou de tudo.

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