Milícia lucra R$ 60 mi com transporte público no Rio

Acusação está em um relatório que ONGs internacionais e brasileiras enviaram à ONU

O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2009 | 09h11

O controle do transporte público por milícias no Rio gera lucros para esses grupos criminosos de cerca de R$ 60 milhões por ano. A acusação consta de um relatório que organizações não-governamentais (ONGs) internacionais e brasileiras enviaram à Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade vai realizar na próxima semana um exame da situação dos direitos sociais e econômicos no Brasil. Em sua resposta à ONU, o governo admite que a violência policial é um dos principais problemas de direitos humanos no País, mas garante que toma medidas para enfrentá-lo.

 

Os dados encaminhados pelas ONGs à ONU fazem parte das conclusões de uma CPI da Assembleia Legislativa do Rio. A investigação foi realizada em dezembro e, no total foram identificadas 226 pessoas como milicianas. O documento será agora avaliado pelos peritos do Comitê de Direitos Sociais e Econômicos das Nações Unidas. As ONGs responsáveis pela acusação são Justiça Global, Organização Mundial contra a Tortura e o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua.

No caso do transporte, a constatação é de que as empresas que querem atuar no setor, principalmente na informalidade, são obrigadas a pagar uma contribuição. O estudo mostra ainda que o número de crianças sendo obrigadas a trabalhar aumentou. Elas são colocadas para vender bilhetes para as vans e miniônibus que circulam pelo Rio. As ONGs alertam que o fenômeno das milícias está ligado também ao aumento do número de seguranças privados. Entre 1,2 milhão e 1,8 milhão de pessoas trabalhariam em empresas de segurança no País.

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