Reprodução/Redes sociais
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Milicianos incendeiam vans em guerra na zona oeste do Rio

Com a morte de Ecko, bando rachou e disputa à bala o transporte  na região; ônibus desviam dos seus itinerários 

Fábio Grellet e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 12h57

RIO - Pelo menos sete vans foram incendiadas durante confrontos entre milicianos em três bairros da zona oeste do Rio, na madrugada e manhã desta quinta-feira, 16. Além de causar pânico entre pessoas que moram ou trabalham nos bairros de Santa Cruz, Paciência e Campo Grande, os confrontos provocaram dificuldades de transporte. A Estrada do Campinho chegou a ser interditada, a circulação de vans foi suspensa e linhas de ônibus mudaram seus itinerários. Duas linhas do corredor Transoeste do BRT Rio também deixaram de circular das 14h até por volta das 17h.

A milícia é um grupo armado que obriga moradores de determinados bairros a pagar por um suposto serviço de segurança particular – quem não pagar corre o risco de morrer. Nesses bairros, o grupo também controla a venda de planos de internet e TV a cabo, botijões de gás de cozinha e o transporte coletivo por vans. Motoristas de van que queiram trabalhar nas linhas da região precisam pagar uma taxa periódica à milícia.

A maior milícia do Rio, conhecida como Bonde do Ecko, era controlada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, que foi morto em 12 de junho, durante operação da Polícia Civil em Paciência, na zona oeste. No fim de 2020 o líder dessa quadrilha já havia se desentendido com um comparsa, Danilo Dias Lima, o Tandera (que tem esse apelido porque ostenta uma tatuagem dos olhos de Thundera, do desenho animado Thundercats). Tandera rompeu com o antigo chefe, causou uma cisão na quadrilha e passou a controlar áreas dominadas pela milícia na Baixada Fluminense, em municípios como Nova Iguaçu e Seropédica.

Enquanto Ecko era vivo, porém, poucos confrontos aconteceram. Desde a morte dele, o Bonde passou a ser controlado por Luís Antonio da Silva Braga, o Zinho, irmão de Ecko, e a disputa pelo controle territorial aumentou.

Na tarde de quarta-feira, 15, dois supostos integrantes do grupo de Tandera foram mortos quando passavam pela Estrada de Madureira, no bairro Dom Bosco, em Nova Iguaçu. Os assassinos conseguiram fugir e ainda não foram localizados. O crime teria sido ordenado por Zinho, e então os milicianos decidiram se vingar incendiando vans que circulam na área dominada pelo grupo rival.

Os milicianos atearam fogo a vans na Praça da Alegria, em Campo Grande, na Rua Agai, em Paciência, e na Avenida João XXIII, em Santa Cruz. Durante as abordagens, os criminosos deram muitos tiros, gerando mais pânico entre motoristas e passageiros. Não há registro de feridos.

Desde o início dos confrontos desta quinta-feira, a Polícia Militar mobilizou equipes de todos os batalhões da região para fazer patrulhamento nas principais vias e sobrevoar a área, na tentativa de impedir novos ataques. O policiamento seguia reforçado no final da tarde, quando já não eram registrados confrontos.

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