Militar é morto por traficantes durante operação no Vidigal

Um cabo do Exército foi morto por traficantes, no final da manhã desta terça-feira, no morro do Vidigal, na zona sul do Rio. Segundo informou o Comando Militar do Leste (CML), o cabo Paulo Roberto Cavalcanti, de 35 anos, estava num grupo com pelo menos quatro militares da Polícia do Exército que foram ao Vidigal verificar informações de que armamento de uso exclusivo das Forças Armadas estava armazenado na favela, que é vizinha da Rocinha. Por volta das 11 horas, houve confronto com traficantes numa localidade conhecida como Largo do Santinho e o militar foi atingido, provavelmente, por um tiro de fuzil. Apesar de o CML ter informado em nota que "a verificação preliminar de dados coletados sobre a existência de armamento de uso exclusivo das Forças Armadas" no Vidigal ter sido feita em conjunto com policiais do 23º Batalhão de Polícia Militar (Leblon), a PM informou que ignorava a ação e foi ao local "em socorro" aos militares. O CML negou que soldados do Exército estejam fazendo operações sistemáticas em favelas do Rio. A operação que resultou na morte do cabo, de acordo com a assessoria de comunicação, foi a primeira realizada no Vidigal e teria como objetivo específico a recuperação de armamentos. É freqüente o emprego das Forças Armadas na recuperação de armamento militar, quando é constatada a falta do material nas unidades. Geralmente são jovens soldados da Polícia do Exército que vão até as favelas para reaver armas desviadas dos depósitos militares. Em dezembro do ano passado, um fuzil FAL 762 foi recuperado pelo Exército na favela da Maré. Depois da ocupação da favela por uma noite pelos militares, a arma foi devolvida pelos traficantes, mas ninguém foi preso. O CML, no entanto, informou que não foi esse o caso de hoje. Os militares não deram falta de armamento nas unidades, mas receberam informações sobre um suposto depósito de armas de origem militar no Vidigal. Cavalcanti usava um colete à prova de balas, mas o projétil penetrou, de cima para baixo, em seu ombro. Socorrido pelos colegas, ele foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, mas chegou morto à unidade. O corpo dele foi levado para o Hospital Central do Exército para a realização da necropsia. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado pelo Exército para apurar a morte.

Agencia Estado,

14 Fevereiro 2006 | 20h09

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