Militar que acusou ministro falará na Câmara

A base aliada da Câmara abandonou o ministro do Esporte, Orlando Silva, e permitiu à Comissão de Fiscalização e Controle aprovar ontem um convite para que o policial militar João Dias Ferreira e o motorista Célio Soares Pereira apresentem na Casa as acusações contra o ministro.

EDUARDO BRESCIANI, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2011 | 03h05

O convite para os acusadores de Orlando prestarem depoimento foi aprovado em uma sessão na qual havia apenas um governista na comissão, o petista José Mentor (PT-SP), que é suplente. Nem mesmo o líder do PC do B, Osmar Júnior (PI), estava presente, apesar de ser titular no colegiado.

A oposição aproveitou a ausência, pediu inversão de pauta e aprovou o convite formulado pelo líder do DEM, ACM Neto (BA), sem discussão. A falta de interesse dos aliados em proteger o ministro surpreendeu a oposição, que estudava até manobras regimentais para levar o policial ao Congresso.

Depois da votação, o PC do B tentou minimizar o fato. "O convite não é correto, mas não temos preocupação com o que vai dizer ou fazer. Ele já vem falando com a imprensa e a oposição", disse Osmar. O depoimento do policial e do motorista foi marcado para o dia 26.

No Senado. À tarde, Orlando prestou depoimento no Senado, tentou demonstrar que conta com apoio do governo ao dizer que a Advocacia-Geral da União (AGU) vai processar seus acusadores. "A Justiça é o caminho para a contestação das calúnias que sofri. A própria Advocacia-Geral da União vai impetrar uma queixa-crime", disse.

Orlando Silva não contestou irregularidades reveladas pelo Estado em relação à ONG Pra Frente Brasil, de sua correligionária Karina Rodrigues, vereadora de Jaguariúna (SP) e ex-jogadora de basquete. Reportagem do Estado publicada em fevereiro mostrou que a ONG cobrava taxa de intermediação das prefeituras para implantar o projeto.

O ministro disse aos senadores que pediu investigações sobre a denúncia de desvios de verbas no Esporte e disse que suas explicações encerram-se com depoimento que dará à Comissão de Ética Pública da Presidência até sexta-feira. "Vou encerrar as explicações para desmascarar as farsas publicadas."

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