Militares estabelecem condições para atuarem no Rio

Os comandantes militares reafirmaram nesta quinta-feira, mesmo diante da violência deflagrada pelo crime organizado, e que fez pelo menos 20 mortes, que as tropas federais só podem atuar no policiamento do Rio sob duas condições: com suporte legal claro e com o comando das operação na mão das Forças Armadas.O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, disse que não considera duas semanas muito tempo para o início das operações das Forças Armadas no Rio. "Quinze dias não é tanto tempo para quem já está esperando há tanto tempo", afirmou o comandante. "Vamos fazer isso direito. É importante que haja o apoio legal para todas as ações das Forças Armadas, e é isso é que é preciso", acrescentou.O almirante disse que a Marinha poderá colaborar nessas operações com a realização, por exemplo, de patrulhas em áreas litorâneas. Moura Neto fez a declarações no Riocentro, onde está sendo realizada da VI LAAD, que é a maior feira latino-americana de defesa.Uso no RioEm entrevista, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, por sua vez, reiterou que, caso seja determinado pelo presidente Lula o emprego dos militares, a coordenação dos trabalhos será, obrigatoriamente, feita pelas Forças Armadas. "Isso é uma exigência constitucional. Para emprego de tropa federal, as forças estaduais, os órgãos de segurança estaduais, passam o controle operacional às força federais. Isso está na Constituição", afirmou o comandante.O general Enzo não quis detalhar que tipo de atuação o Exército terá. "Estamos aguardando decisão do presidente da República", disse. Ao ser questionado sobre o prazo de 15 dias para que as tropas entrem em operação, ele explicou que "é preciso caracterizar a missão". E acrescentou: "O Rio de Janeiro é que vai detalhar os pontos onde gostaria que ter a participação do Exército. Nós vamos analisar e prestar as informações necessárias e, posteriormente, a decisão será do presidente".AtuaçãoO ministro da Defesa, Waldir Pires, e o Comando do Exército reiteraram nesta terça-feira que as Forças Armadas poderão entrar para atuar no combate à criminalidade no Rio na forma que o presidente Lula decidir. Mas reiteraram que a previsão é de que isso ocorra em 15 dias, pois este é o prazo para os governos federal e estadual acertarem os termos, local e tempo que desejam que as forças federais permaneçam nas ruas do Rio.HaitiA uma pergunta sobre por que há tanta dificuldade na atuação das Forças Armadas no Brasil, uma vez que elas já fazem patrulhamento e incursão em favelas no Haiti, com combate ao crime, trabalho semelhante ao que fariam no Rio de Janeiro, o ministro respondeu: "A atuação das Forças Armadas na Força de Paz no Haiti é com base em um pedido feito pela ONU, e a MINUSTAH não tem impedimento de natureza constitucional. Não tem nenhuma especificação de que elas estão lá para garantir a lei e a ordem. Suas tarefas lá são definidas pela ONU". Com isso o ministro Waldir Pires quis dizer que no Brasil, a sua atuação está limitada ao que está escrito na Constituição, e elas, portanto, só podem ser empregadas para garantir a lei e a ordem atendendo determinação do Presidente da República.A jornalista viajou ao Rio, onde foi montada a 6º edição da LAAD (Latin America AeroEspace Defense), a convite da Reed Exhibitions Brasil

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