REUTERS/Washington Alves
REUTERS/Washington Alves

Mina da Vale em Barão de Cocais registra movimentação

Barragem está em nível máximo de alerta desde 22 de março e área próxima já havia sido evacuada. Empresa diz avaliar eventuais impactos

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

14 de maio de 2019 | 23h31

BELO HORIZONTE - O talude da cava da mina de Gongo Soco, da barragem Sul Superior, da Vale, em Barão de Cocais, região central de Minas, apresentou movimentação, conforme informações da Defesa Civil do Estado de Minas Gerais. A barragem foi colocada em nível máximo de alerta, que significa risco iminente de ruptura, em 22 de março deste ano.

O talude é a estrutura semelhante a uma escandaria, em grande proporções, que se forma ao redor da cava, que é de onde se retira o minério de ferro. A barragem Sul Superior, local de depósito do rejeito da produção da mina, fica 1,5 quilômetro à frente da cava.

"O que pode acontecer é que, caso o talude caia dentro da cava, haja um abalo sísmico que possa afetar a barragem", afirma o coordenador adjunto da Defesa Civil, Flávio Godinho. As autoridades foram informadas nesta terça-feira, 14, da movimentação da estrutura, conforme o representante da Defesa Civil. "Nada rompeu. Existe a possibilidade de acontecer, sim, carreamento de parte deste talude para dentro da cava, que é um local aberto, um local bem grande, onde cairia e se integraria ao ambiente", disse. "É preciso ter preocupação e estar acompanhando isso".

Moradores da chamada área de autossalvamento, ou seja, pessoas que mantinham residência próximo à barragem, foram retiradas de suas casas em 8 de fevereiro. Quem vive na chamada área secundária, em que está incluída Barão de Cocais, recebeu treinamento para sair de casa e se dirigir para pontos altos da cidade, em caso de rompimento da represa. O município tem 32 mil habitantes e é cortado pelo rio São João, por onde chegaria a lama, caso a barragem se rompa. O tempo estimado para que o rejeito chegue ao primeiro ponto de contato com a cidade é de 40 minutos.

Em nota, a Vale disse que equipes da empresa "identificaram movimentação no chamado talude Norte, na cava da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), paralisada desde 2016". A empresa disse ainda estar "avaliando as possibilidades de eventuais impactos sobre a barragem Sul Superior, distante aproximadamente 1,5km da área do talude". E que "as autoridades competentes foram envolvidas para também avaliarem a situação e, em caso de necessidade, definirem as medidas preventivas a serem tomadas. A cava e a barragem são monitoradas 24h".

Uma reunião da Defesa Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros foi marcada para noite desta quarta-feira com o objetivo de discutir os possíveis impactos da movimentação do talude da cava na barragem. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.