Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Minas dá último adeus ao ''estadista'' José Alencar

Com honras de chefe de Estado, vice teve corpo cremado e cinzas ficarão em igreja de Muriaé

Marcelo Portela, Eduardo Kattah, Luciana Nunes Leal e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2011 | 00h00

BELO HORIZONTE

O corpo do ex-vice-presidente da República José Alencar foi cremado na tarde de ontem, na região metropolitana de Belo Horizonte, com honras de chefe de Estado. O velório, em clima de emoção, foi realizado no saguão do Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro, em uma cerimônia aberta ao público, que reuniu familiares, autoridades, políticos e milhares de populares. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceram.

As cinzas do ex-vice-presidente serão depositadas na igreja de Nossa Senhora da Glória, distrito de Muriaé, cidade natal de Alencar. A família informou que ele gostaria que suas cinzas fossem depositadas na igreja na qual foi batizado.

Alencar morreu na terça, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por falência de múltiplos órgãos causada pelo câncer contra o qual lutava desde 1997.

Pelo menos 4 mil pessoas, conforme a Polícia Militar, passaram pelo caixão para se despedir do ex-vice. O corpo foi levado da base aérea da Pampulha até o palácio no mesmo caminhão do Corpo de Bombeiros que transportou os corpos do ex-presidente Tancredo Neves e do ex-vice-presidente Aureliano Chaves.

Exemplo. O primeiro da fila a entrar no palácio foi o cozinheiro Alexandre Aparecido Carlos, 26 anos, que chegou às 6h30 para dar adeus a Alencar. Ele contou que sua mãe sofre de câncer. "Sempre falo para a minha mãe seguir o exemplo dele, para não deixar de perseverar."

A dona de casa Vilma de Paula Santos, de 57 anos, foi de Ribeirão das Neves - a cerca de 30 quilômetros da capital - ao palácio para a cerimônia. "Eu admirava demais o José Alencar. Mesmo nas horas críticas estava de bom humor. Os outros políticos deveriam seguir seu exemplo", disse, com lágrimas nos olhos.

Quando a visitação pública foi fechada, às 13h30, cerca de duas mil pessoas ainda se concentravam na Praça da Liberdade para acompanhar a movimentação no palácio. Metade delas estava na fila, mas não pode dar o último adeus ao ex-vice-presidente.

O ex-ministro Patrus Ananias afirmou que Alencar "quebrou a desconfiança recíproca entre o PT e os empresários". O presidente do PT mineiro, deputado Reginaldo Lopes, confirmou o papel de Alencar nessa aproximação. "Ele foi o primeiro grande empresário a romper o preconceito contra um operário na Presidência." Na mesma linha, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), disse que Alencar foi "o pêndulo para o centro" que garantiu a vitória de Lula.

O momento mais emocionante ocorreu após o fechamento do caixão, quando parentes fizeram orações. Do Palácio da Liberdade o caixão seguiu em uma limusine Cadilac 1974 até o cemitério Parque Renascer, sendo recebido ao som da marcha fúnebre.

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