Minas homenageia três inconfidentes

Restos mortais serão transferidos para o Museu da Inconfidência, para marcar a data histórica de 21 de abril

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2011 | 00h00

Quase 70 anos após da inauguração do Panteão no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), os restos mortais de três inconfidentes mineiros serão finalmente depositados no salão do imóvel histórico que desde 1942 guarda as ossadas de Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga e outros 11 revoltosos. Os restos mortais dos inconfidentes foram transferidos para Ouro Preto depois que o então presidente Getúlio Vargas determinou que fossem exumados na África e repatriados, na década de 1930.

Um acordo para o traslado das ossadas firmado entre os governos brasileiro e português permitiu que os restos mortais fossem depositados sob lápides no primeiro andar da antiga Casa da Câmara e Cadeia da Vila Rica. O Panteão dos Inconfidentes foi inaugurado no dia 21 de abril de 1942, na comemoração do 150.º aniversário da decretação da sentença condenatória dos revoltosos e o enforcamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Das 14 lápides funerárias, 13 foram ocupadas pelas ossadas e uma permaneceu vazia, dedicada aos inconfidentes cujos restos mortais não foram localizados. Porém, três ossadas resgatadas em território africano na época não foram incluídas nesse conjunto depositado no panteão.

Cerimônia. As ossadas dos três inconfidentes - de Domingos Vidal Barbosa Lage, José de Rezende Costa e João Dias da Mota - serão integradas ao panteão na próxima semana, durante a tradicional cerimônia do 21 de Abril em Ouro Preto, que este ano contará com a presença da presidente Dilma Rousseff, oradora oficial do evento. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o anúncio oficial da identificação das ossadas foi feito ontem, em Brasília.

Peregrinação. Depois de uma peregrinação por instituições públicas, os restos mortais foram encaminhados em 1994 para a unidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Piracicaba, onde permaneceram os últimos 17 anos e foram submetidos a um processo de identificação - obtida a partir de estudos que utilizaram modernas tecnologias na área da medicina e odontologia legal.

O trabalho ficou a cargo do professor e médico Eduardo Daruge.

O prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo, lembra que as três ossadas chegaram ao Brasil "misturadas", ficaram armazenadas no Ministério da Cultura e depois foram levadas para o Itamaraty. "Eles ficaram durante anos dentro de uma urna, nos arquivos do Itamaraty, no Rio de Janeiro", destacou o prefeito, que também chefiava o Executivo municipal em 1994, quando o material foi remetido para a Unicamp.

De acordo com Oswaldo, o estudo na universidade incluiu a reconstituição facial de pelo menos um dos inconfidentes.

Segundo ele, o depósito dos restos mortais vai consumar a iniciativa de Vargas, de resgatar os despojos dos heróis da Inconfidência Mineira que foram degredados para a África, como parte de uma conjuntura política que antecedeu a instalação do Estado Novo.

"O presidente Getúlio Vargas colocou um navio da Marinha à disposição do (historiador Antônio) Augusto de Lima Júnior. Ele foi à África, visitou as colônias portuguesas, onde os inconfidentes foram exilados, degredados. Ele conseguiu trazer os restos mortais de vários deles, que foram depositados sob grandes lajes de pedra de quartzito desse panteão", observou.

Reconhecimento. "A Unicamp fez um trabalho extraordinário, procurou até DNA de familiares. Aqueles (restos mortais) que ficaram armazenados quase de uma maneira inadequada foram reconhecidos cientificamente e agora serão colocados nessa campa do inconfidente desconhecido."

Alegando que o procedimento ainda será anunciado oficialmente, o diretor do Museu da Inconfidência não quis dar detalhes. O Estado procurou a Unicamp, mas a assessoria de imprensa da universidade afirmou que não conseguiu contato com Daruge e somente ele poderia falar sobre o assunto.

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