Mineiro continua nos planos da oposição

Setores do PSDB e de partidos aliados ainda sonham com a formação de uma chapa puro-sangue com Aécio

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

A negativa solene de Aécio Neves sobre a hipótese de aceitar a vice na chapa presidencial do PSDB deve pôr um ponto final no debate público do tema. Mas a oposição não considera o assunto encerrado. Setores do PSDB e de partidos aliados ainda enxergam espaço político e tempo hábil para um recuo e avaliam que a negativa pode ser até estratégica para "o grande gesto" que faria dele "o salvador" mais adiante.

É neste contexto que o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, se recusa a falar em alternativas de vice com a recomendação de deixar o assunto decantar. "Já que não decidimos até hoje, não tenho por que antecipar. Meu prazo é o da lei", diz o deputado. "Definitivo na política é só a morte", completa, repetindo frase dita pelo próprio Aécio.

Interlocutores do mineiro dizem que a pressão excessiva dos últimos dias e a forma impositiva das cobranças foram "um desastre" porque incomodaram e precipitaram o processo. Avaliam que a pressão encurtou os prazos e que Aécio não quis esticar, para não criar prejuízos políticos à candidatura Serra.

Seja qual for o desfecho, consideram útil disseminar a negativa de Aécio. Caso ele a mantenha, terão reforçado o discurso do líder mineiro. Se ele mudar de ideia, o reforço ajuda a conferir impacto maior ao "fato político espetacular" do recuo.

Todos estão de acordo na tese de que o fundamental para que o ex-governador não perca força política é ganhar a eleição em Minas. Por isso, não contestam quando Aécio diz que a candidatura ao Senado ajuda mais a reeleição do governador Antônio Anastasia do que a candidatura a vice.

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