''Minha atuação é incisiva na transparência''

Januário Montone: secretário municipal de Saúde; ele volta a negar [br]relação com empresas investigadas por suspeita de fraudar licitação para fornecimento de merenda

Entrevista com

, O Estadao de S.Paulo

06 Fevereiro 2009 | 00h00

O secretário municipal de Saúde e ex-secretário de Gestão, Januário Montone, voltou a negar ontem qualquer relação com as empresas investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) por suspeita de fraudar licitação para o fornecimento de merenda escolar. O nome dele e de outros quatro funcionários públicos surgiram durante a apuração. Abaixo, a íntegra da entrevista concedida por e-mail ao Estado: A que o sr. atribui o surgimento de seu nome na investigação? Desconheço qualquer envolvimento do meu nome em investigação do MP e fiquei absolutamente indignado e abalado com a afirmação do seu jornal, que fere o que mais prezo e meu maior bem, minha reputação. Na Secretaria de Gestão, como aqui na Secretaria de Saúde, minha atuação é incisiva na transparência, na modernização dos procedimentos, no melhor uso dos recursos públicos. Tenho, ao longo da minha vida profissional, contrariado interesses poderosos, como no caso do leite e da própria merenda aqui na Prefeitura. Quando esteve à frente da Secretaria de Gestão, tomou conhecimento da saída de algum funcionário graduado para empresas do setor de merendas? Conforme noticiado na época e inclusive debatido em CPI no Legislativo paulista, a então diretora do Departamento de Merenda deixou a Prefeitura, pouco tempo depois do encerramento do processo de licitação. Manifestei de maneira clara e inequívoca o meu repúdio à sua atitude, a quebra de confiança que gerou e determinei uma revisão em todo o processo. Se houve fraude por formação de cartel, a Prefeitura é a maior interessada em que seja apurado e os responsáveis punidos. Pessoalmente sempre colaborei com os processos de investigação das autoridades e, sempre que possível, me antecipei a eles, como no caso da chamada Operação Parasitas, em que iniciamos uma investigação a partir das notícias de que essa quadrilha estava fraudando processos de licitação na área da saúde. Por que o relatório da Fipe foi rejeitado pela pasta? O relatório preliminar não foi aceito por motivos técnicos. Não atendia os objetivos contratados, além de erros metodológicos apurados. Como em qualquer serviço ou produto contratado, o poder público não pode aceitar algo diferente do que foi efetivamente contratado. Foi um debate entre as áreas técnicas, mas que foi encerrado com a Fipe apresentando relatório que efetivamente atendia os objetivos do contrato (processo que acompanhei mais de longe, porque desde setembro de 2007 estou na Secretaria de Saúde). A terceirização das merendas é positiva para o Município? Particularmente, não tenho dúvidas de que o modelo de terceirização que implantamos é positivo, pois corrigiu os principais erros e distorções do processo inicial, principalmente quanto à fragilidade do poder de fiscalização. Esta também foi a posição da Câmara no relatório final DAE, uma Comissão que estudou ao questão da merenda e que, inclusive, foi presidida por um vereador do PT.

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