'Minha ficha é a mais limpa do Brasil'

Ex-prefeito e presidente do PP diz também que todos os candidatos do partido 'são gente de bem'

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

Candidato. 'É bom que se diga: sou elegível', diz Maluf          

 

AGÊNCIA ESTADO

Alvo da Interpol, a Polícia Internacional, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) afirma não temer que a Lei da Ficha Limpa impeça sua candidatura para reeleger-se à Câmara, ou mesmo que seu registro seja negado pelo Tribunal Regional Eleitoral. "A minha ficha é a mais limpa do Brasil", afirmou ontem, na convenção estadual do partido, que lançou o deputado Celso Russomanno ao governo de São Paulo. "É bom que se diga: sou elegível, sou candidato a deputado federal e não tenho nenhuma condenação que me impeça. Tenho 43 anos de ficha limpa e de trabalho. Este é o fato."

Os fatos que constam de seu currículo são, entre outros: frango superfaturado, petróleo que nunca achou, fortuna na Suíça e em Jersey, 40 dias preso na Polícia Federal. Em 2009, foi incluído na difusão vermelha da Interpol, a lista dos mais procurados.

Mas nem essa lista de encrencas com a Justiça e o Ministério Público o fazem mudar o discurso. Nega que os processos relacionados ao caso dos frangos e à Paulipetro sejam barreiras à sua candidatura. No primeiro caso, Maluf foi inocentado em primeira instância, mas condenado depois pelo Tribunal de Justiça pela compra de frangos, quando prefeito de São Paulo, em 1996. Cabe recurso. No outro caso, o Supremo Tribunal Federal condenou Maluf a devolver cerca de R$ 4,3 bilhões aos cofres públicos pelos prejuízos causados pela Paulipetro, empresa criada por ele quando governador paulista, em 1979, para prospectar petróleo no Estado, sem sucesso.

Maluf negou a compra de frango superfaturado. "Fui inocentado em primeira instância e o caso está agravado. É mentira." Sobre a Paulipetro, reiterou: "Não tenho condenação. Aliás, foi a coisa mais divina que fiz na vida dizer que tinha petróleo no Estado de São Paulo. Demorou 25 anos e a Petrobrás descobriu o pré-sal na Bacia de Santos. Tem uma Arábia Saudita lá embaixo."

Presidente estadual do PP, ele garantiu que os postulantes da legenda estão livres de problemas com a Justiça. "Todos os candidatos são gente de bem." Maluf e Russomanno desfiaram críticas ao governo do PSDB, principalmente relacionadas a segurança pública, saúde e valores dos pedágios nas rodovias. Maluf disse não haver contradição nas críticas aos tucanos, com quem o PP pode se associar na eleição presidencial.

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