Mini helicóptero pode controlar morros do Rio

Um helicóptero em miniatura pode ser a nova ?arma? da polícia do Rio contra o crime organizado. Técnicos da empresa Airtech realizaram hoje, a pedido da Secretaria estadual de Segurança, uma exibição do "Olho Vivo", aeronave dirigida por controle remoto e usada em aeromodelismo. O sistema testado tem tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos, Japão e Alemanha, e custa R$ 120 mil. Dotada de câmera fotográfica e de vídeo, a miniaeronave poderá ser usada em situações de risco e mapeamento de favelas.O teste faz parte do projeto Miniáguia, da Secretaria de Segurança, e foi o primeiro de uma série, que terá participação de outras empresas. ?Ainda não sabemos se usaremos helicópteros, aviões ou as duas coisas?, disse o coordenador de Tecnologia da secretaria, Isnard Martins. Ele calcula em três a quatro meses o prazo para que o projeto entre em operação.ImagensA quantidade de aeronaves e o modo como serão adquiridas ainda não foram definidos. Adaptado para as necessidades da polícia, o modelo de 1,20 metro de comprimento e 60 centímetros de altura testado sobrevôou o Complexo do Alemão (zona norte) e transmitiu imagens para computadores em dois pontos.Um Posto de Comando Móvel (na verdade um trailer) na própria favela e a sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, em Laranjeiras (zona sul). ?Ele pode transmitir as imagens em tempo real para vários pontos, desde que haja o link?, disse um dos técnicos, referindo-se à antena que capta a transmissão.Baixo custoAs principais vantagens de aeronaves não tripuladas são a ausência de risco para a vida dos policiais e o baixo custo. Uma hora de vôo do "Olho Vivo" sai por US$ 50 ? 1% do preço pago nos helicópteros tradicionais, cuja hora de vôo fica em US$ 5 mil. O risco de que os traficantes abatam a aeronave espiã é reduzido por Martins. ?Envolve menos risco do que as operações com policiais?. Ele disse também que a idéia é usar o sistema de navegação GPS (Global Position System), que dispensa a presença de pilotos manipulando o controle remoto.Para o comandante do Bope, coronel Venâncio Moura, a pouca técnica dos criminosos no manejo de armamento impedirá que as pequenas aeronaves sejam abatidas. ?Um equipamento como esse será fundamental para orientar o deslocamento de nossas equipes. Conhecendo a posição dos marginais, posso traçar estratégias mais seguras?, explicou. Será mais fácil, segundo o policial, identificar pontos de venda de drogas e localizar bandidos com fuzis nas favelas. As imagens obtidas podem ser aumentadas muitas vezes, seja por meio de lentes com zoom ou de recursos de informática.Helicópteros semelhantes ao "Olho Vivo" são usados como alvo em treinamentos da Marinha brasileira. Ele pode alcançar 1.600 metros de altitude e sua velocidade de vôo varia de 0 a 100 quilômetros por hora, com 20 minutos de autonomia para 350 ml de álcool combustível. Modelos maiores, com até três metros de comprimento, podem ser movidos à gasolina e alcançar autonomia de seis horas de vôo.

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