Mínimo vira teste político

O governo considera a votação do salário mínimo o primeiro e decisivo teste da presidente Dilma Rousseff na administração da complexa aliança política que lhe dá sustentação. Vai daí que a questão do valor - se R$ 545 ou R$ 560 - é secundária: o que importa é que a Câmara aprove o que vier a ser o limite estabelecido pelo Planalto até o dia da votação.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

No raciocínio do ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, a quem Dilma terceirizou a condução política de seu governo, é hora de jogar duro para mostrar força, sob pena de perder o controle político de uma base voraz e em permanente disputa por espaços na estrutura estatal.

Para se impor o governo fez dois movimentos historicamente eficazes em início de mandato: adiou as nomeações do segundo escalão para após a votação e avisou que o voto contra será considerado dissidente. É muito provável que funcione agora enquanto a moeda de troca é forte.

Mas é remédio com prazo de validade. O ajuste fiscal em curso promete ficar mais duro na medida em que o cenário externo se agravar, como é a expectativa da própria presidente. A saia mais justa da economia gera desgaste e, a médio prazo, torna governos mais vulneráveis a chantagens parlamentares.

Por isso, a vitória agora é questão fechada para Dilma. Razão pela qual o líder do governo, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), disse que o voto aliado será interpretado como oposição ao governo. Por ora, pode dar certo.

Sinais trocados

A advertência do governo aos deputados da base que ameaçam votar contra o salário mínimo anunciado pela presidente Dilma Rousseff se sustenta na oposição. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e parlamentares do DEM andam mais comedidos que aliados governistas. O mineiro defende o valor de R$ 560, que o deixa bem com as centrais sindicais, e que pode vir a ser o Plano B do governo, se for preciso para evitar uma derrota. Com essa posição, Aécio acrescenta mais uma divergência com José Serra, que articula para que o PSDB feche questão nos R$ 600 que prometeu em campanha.

Aparências enganam

Mantendo o jogo das aparências, o PSDB segue com o discurso de que não há conflitos internos e finge que a presidência do partido não está na pauta. Mas José Serra e Sérgio Guerra estão em plena campanha.

Até a distribuição de assentos no almoço de confraternização do partido na última quarta-feira, em Brasília, separou os rivais: Sérgio Guerra e Aécio Neves de um lado da mesa; Serra e o senador Aloysio Nunes, de outro.

"É a morte"

Na semana de comemorações do aniversário, o PT estabeleceu a reforma política como bandeira prioritária do partido e pontuou que deve ser feita no primeiro ano do governo Dilma Rousseff. PT e PSDB afinam-se na defesa do financiamento público das campanhas. O PT apoia, mas com o voto em lista fechada, diz que um não vale sem o outro. Mas a principal bandeira do PSDB, o voto distrital, separa ambos. José Dirceu, que o PT quer reabilitar politicamente este ano, teve uma reação irada à proposta. ''A reforma política pode ser uma armadilha para os partidos de esquerda. O voto distrital é a morte'', bradou Dirceu, numa reunião da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB).

Lugar ao sol

O ex-ministro Geddel Vieira Lima deve assumir uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal.

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