Ministério com 'cara de Dilma' começa com nome de Lula

Como o personagem Zelig, o inseguro homem-camaleão criado por Woody Allen que mimetiza a aparência e o modo de agir das pessoas que o cercam, o ministério que começa a emergir da prancheta de Dilma Rousseff aos poucos adquire as feições da Esplanada do coração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Análise: Luiz Alberto Weber, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2010 | 00h00

A escolha de Guido Mantega, ministro da Fazenda de Lula, para se manter no mesmo e estratégico cargo, indica que não há fronteiras de opinião entre sucedido e sucessora. Inventada por Lula, catapultada por Lula, Dilma aparenta dificuldades em ser Dilma.

Pajeada nesse período de transição pelo presidente- que interveio para resgatá-la da manobra parlamentar do PMDB e dos apetites dos aliados - Dilma, até aqui, não revelou sua histórica identidade e personalidade.

Há 15 dias, o presidente, preocupado com a imagem uma presidente eleita e tutelada por ele, organizou uma entrevista coletiva para anunciar que o governo que o sucede teria "a cara da Dilma". E emendou: "Pela minha experiência de vida e de montagem de governo, o governo da Dilma tem que ser a cara e a semelhança da Dilma".

Mas o rol de ministeriáveis de Dilma é uma coleção de nomes lulistas. Certo para o novo governo, o ex-ministro Antonio Palocci foi integrante da primeira equipe de Lula e só saiu na esteira do escândalo da violação de sigilo do caseiro Francenildo Costa.

Lula busca um lugar de relevo, cogita-se um ministério, para seu secretário particular, Gilberto Carvalho. Mais do que qualquer reivindicação dos aliados, as escolhas de Lula começam a se impor à Esplanada de Dilma.

Até mesmo as antipatias do presidente servem para rifar postulantes que gostariam de permanecer colados em suas pastas. Agastado com problemas na reta final de seu governo em áreas como Educação e Saúde, Lula emite sinais de veto branco aos ocupantes.

Na ficção, a personagem Mia Farrow, uma psiquiatra, usa hipnose para descobrir que Zelig anseia tão fortemente por aprovação que se transforma nos outros. Com mais de 80% de aprovação popular, Lula é politicamente inigualável pelos seus pares petistas. E, agora, a protagonista é Dilma.

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