Fabio Motta/Estadão
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MEC libera R$ 8,5 milhões para reconstrução do Museu Nacional

UFRJ selecionou a Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia S/A para realizar as obras emergenciais

Ana Paula Niederauer, Fábio Grellet e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 15h57
Atualizado 21 Setembro 2018 | 13h30

RIO E SÃO PAULO - Dezessete dias após anunciar que destinaria R$ 10 milhões às obras emergenciais no Museu Nacional, destruído por um incêndio em 2 de setembro, o Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta-feira, 20, que até o fim do dia encaminharia R$ 8,5 milhões para o museu.

O destino do dinheiro será Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a cujo patrimônio o museu pertence. Segundo o ministro da Educação, Rossieli da Silva, haverá "um complemento", mas ele não informou qual o valor nem quando será encaminhado. 

"Anunciamos hoje (quinta-feira) o pagamento da primeira transferência emergencial, de R$ 8,5 milhões, para a UFRJ. Teremos ainda mais um complemento."

O ministro afirmou também que o secretário executivo do MEC, Henrique Sartori, vai visitar o museu e a UFRJ nesta sexta-feira, 21, para conversar com os técnicos responsáveis pelas obras no museu.

"Estamos plenamente trabalhando em conjunto para a reconstrução do nosso museu e recuperação do acervo", afirmou Rossieli.

O Escritório Técnico da UFRJ (ETU) consultou empresas para avaliar se, conforme critérios técnicos e históricos, teriam condições de realizar o serviço emergencial no Museu Nacional. As empresas consideradas aptas foram convocadas para um sessão pública de apresentação de propostas, que ocorreu na terça-feira, 18. Representantes delas entregaram ao mesmo tempo envelopes que estavam lacrados e foram abertos na presença de todos. 

Reveja: como ficou o interior do Museu Nacional após o incêndio

Durante essa sessão pública, da qual participaram cinco empresas, a UFRJ selecionou a Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia S/A para realizar as obras emergenciais. Elas incluem cercamento, escoramento, remoção de escombros e construção de cobertura provisória no museu. Por enquanto, sem o escoramento, ninguém pode entrar no prédio, e a própria perícia realizada pela Polícia Federal ainda não foi concluída.

Pelo serviço, a Concrejato pediu R$ 8.998.057,66. A GS Serviços Especiais Ltda. pediu R$ 11.651.839,29, e a Construtora Biapó Ltda. cobraria R$ 12.342.844,80. A Stahldach Construções se ofereceu para fazer apenas uma parte do serviço, pelo qual cobraria R$ 2.477.113,34, e a Studio G Construtora Ltda. não ofereceu proposta.

A Concrejato integrava um grupo empresarial também composto pela Concremat, que foi vendida em novembro de 2016. A Concrejato foi responsável pela reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e pela restauração do Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio.

Nesta quarta-feira, 19, segundo o ministro, o MEC recebeu da UFRJ documentos que detalham os preços dos contratos que serão assinados pela instituição nessa primeira fase de reconstrução do museu. Essa documentação era necessário para a liberação da verba, conforme o MEC.

Outros prédios

No dia 11, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro pediu à Justiça que determinasse a interdição de seis outros museus situados no Rio e administrados pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), subordinado ao Ministério da Cultura. São o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu da República, o Museu Histórico Nacional, Museu Villa-Lobos, Museu da Chácara do Céu e Museu do Açude. Para o MPF, todos estão sujeitos a incêndios semelhantes ao que consumiu o Museu Nacional, por falta de sistema adequado de combate ao fogo.

No mesmo dia, a Justiça Federal determinou que, no prazo de 30 dias, essas instituições e o Ibram apresentassem documentos sobre o que foi feito para evitar incêndios e um cronograma do que falta fazer. Passados nove dias, o Ibram informou nesta quarta que está tomando providências e que na última terça assinou um acordo de cooperação com o Corpo de Bombeiros do Rio para adequar aos parâmetros da corporação 16 prédios usados como museus no Estado. 

"Três deles já estão em vias de receber certificado de regularização do Corpo de Bombeiros: Museu Histórico Nacional, Nacional de Belas Artes e Casa de Benjamin Constant", afirma o Ibram.

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