Ministério da Justiça é contrário a intervenção do Exército no Rio

O desejo da governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, de contar com o Exército nas ruas para combater traficantes não é bem-aceito no Ministério da Justiça. O ministro Marcio Thomaz Bastos alega que esta não é uma atribuição do Exército e que os soldados, tampouco, estão preparados para o enfrentamento nas ruas. Já o secretário nacional de segurança pública do ministério, Luiz Eduardo Soares, em conversa com assessores afirmou que não se deve ceder a este tipo de tentação contrária aos princípios democráticos. ?O Exército não pode fazer papel de polícia?, afirma. As Forças Armadas somente poderiam subir morros do Rio, caso o governo do Rio se declarasse incapaz de garantir a ordem e a segurança públicaPela Constituição, segurança pública é dever do Estado e responsabilidade de todos e deve ser exercida com a ajuda das polícias federal, militar, civis e corpo de bombeiros. O secretário diz que o governo federal dará total apoio aoRio, mas evitará adotar apenas ações reativas.Segundo Soares, a opção do governo Luiz Inácio Lula da Silva é pela manutenção da política de segurança pública que está sendo detalhada, em negociação com os Estados, e prevê ações estruturais. O projeto inclui integração, modernização e moralização das polícias de um lado e de outro, programas sociais com foco no jovem e nos pobres da periferia.TelefonemaO ministro voltou a conversar esta à tarde com a governadora para discutir a transferência do traficante Fernandinho Beira-Mar, considerado responsável pela onda de violência no Rio anteontem. A transferência, noentanto, depende de decisão judicial e também da vontade de outros Estados em acolher o traficante.Acre, São Paulo e Brasília foram indicados pelo ministro como os locais com presídios de segurança máxima com condições de receber Beira-Mar. Mas técnicos do ministério descartam os presídios do Acre e de Brasília por falta depessoal qualificado e por superlotação. São Paulo é o único bem estruturado e que, no ano passado, contou com ajuda federal para transferir líderes do Primeiro Comando da Capital e assim minar as ações desta rede, que promoveu rebeliões simultâneas no Estado.

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