Ministério da Justiça ordena a saída da Força Nacional do Rio

Retirada da tropa deve ocorrer até fim do mês; Beltrame diz que dará jeito para FNS permanecer no Estado

Pedro Dantas e Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2008 | 19h40

O Ministério da Justiça determinou a saída até o final do mês dos cerca de 400 homens da Força Nacional de Segurança (FNS) que auxiliam a polícia do Rio no patrulhamento ostensivo. De acordo com a Assessoria de Comunicação do Ministério, a decisão aconteceu porque legalmente a FNS não está autorizada a ficar indefinidamente em nenhum Estado e diante da avaliação do comando da operação de que "a missão no Rio foi cumprida". O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse, no entanto, que a saída da tropa acontecerá porque o Exército não tem mais estrutura para alojar os agentes - eles estão num quartel militar na Ilha do Governador, na zona norte. "O Exército diz que não tem um imóvel (para mantê-los) e o Estado também não tem. Vou ver se construo um lugar ou se vou desalojar (alguém) para não deixar o Rio sem a presença da Força. Vou dar meu jeito", avisou o secretário, admitindo que isso não deve acontecer até o final do mês. Beltrame afirmou que tem "outro projeto" para a Força e pretende pedir seu retorno ainda este ano. "Tenho certeza de que eles voltam", disse. O escritório de comando da FNS, no centro do Rio, será mantido com um efetivo mínimo - cerca de cinco pessoas - para que seja possível reorganizar o trabalho de policiais militares nos locais onde atua a FNS. Atualmente, segundo Beltrame, eles fazem patrulhamento da orla - do Aterro do Flamengo (centro e zona sul) ao Recreio (zona oeste) e ainda na Lagoa (zona sul). "Mesmo não sendo nítido para o carioca o trabalho da força, ela é muito importante para o Rio", disse. O Exército deu prazo de 15 dias para que o local seja desocupado. O relações públicas do Comando Militar do Leste, coronel Carlos Alberto Lima, disse que apenas na terça-feira o Exército vai se pronunciar sobre o assunto.  A FNS chegou ao Rio em janeiro de 2007 após a onda de ataques contra ônibus e policiais realizada por traficantes no final de 2006, que deixaram 20 pessoas mortas e 32 feridos. A vinda do efetivo era prevista apenas para o Jogos Pan-americanos, que aconteceram em julho de 2007, mas foi antecipada pela onda de barbárie. Durante o evento esportivo, o efetivo da FNS chegou a 4,5 mil homens na capital fluminense. Por muitos meses, a FNS monitorou os acessos ao Complexo do Alemão, na zona norte. Criminalidade O presidente da Associação de Moradores da Favela da Grota, Wagner Nicácio, afirma que a presença dos agentes da FNS nos acesso à favela diminuiu o número de roubos, mas reconhece que não lembra de nenhuma prisão efetuada pelos policiais. "Acho que a comunidade ficou mais vigiada. A atuação deles está sendo positiva. Por exemplo, quando alguém passa mal, eles levam a pessoa ao hospital", afirmou o líder comunitário. No conjunto de favelas, os policiais da Força Nacional de Segurança ficam o tempo todo nas esquinas dos acessos dentro de barricadas montadas com sacos de areia. Eles não entras nas favelas, apenas observam e são observados por traficantes armados que permanecem no interior da favela mesmo após o início das obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

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