Ministério da Justiça veta envio de tropas federais para Alagoas

Apesar do veto, Justiça prometeu doação de helicóptero e recursos; Polícia Civil está em greve desde agosto

20 de fevereiro de 2008 | 18h54

O Ministério da Justiça vetou o envio de soldados da Força de Segurança Nacional solicitada pelo governo de Alagoas, mas prometeu a doação de um helicóptero e de recursos para construção de casas para policiais militares, civis e agentes penitenciários.  Veja também:Agentes penitenciários paralisam atividades em Alagoas A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 20, pelo Ministério da Justiça, que confirmou a vinda do ministro Tarso Genro a Alagoas na semana que vem, quando será anunciada a ajuda do governo federal ao Estado.  Segundo Ministério da Justiça, os 100 homens solicitados pelo governo de Alagoas não serão enviados porque na justificativa do pedido consta que é para suprir a carência em face da greve dos policiais civis - o que contraria o regulamento da Força de Segurança Nacional.  Os agentes da Polícia Civil de Alagoas estão em greve desde 1º de agosto de 2007 e outras categorias da área de segurança também ameaçam parar, a exemplo dos delegados e dos agentes penitenciários Protesto Na manhã desta quarta-feira, 20, cerca de 800 agentes penitenciários paralisaram suas atividades e realizaram um protesto no portão de entrada do sistema penitenciário, no bairro do Tabuleiro dos Martins, na periferia de Maceió.  A greve só foi suspensa no início da tarde, quando o governo do Estado anunciou o pagamento do adicional noturno. Segundo o presidente da Associação dos Agentes Penitenciários, Jarbas Souza, a categoria espera agora que o governo melhore as condições de trabalho, caso contrário a categoria voltará a parar suas atividades.  O governador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL) disse que já pediu ajuda ao presidente Lula para conter a onda de violência em Alagoas. "Estou esperando desde a semana passada a indicação de delegado da Polícia Federal para assumir a Secretaria Estadual de Defesa Social, mas até agora, nada. Espero que até a vinda do ministro Tarso Genro, essa questão esteja resolvida", afirmou Vilela.  Segundo ele, um dos nomes cotados para assumir o cargo é o delegado federal Paulo Rubim, que já foi superintendente da PF em Alagoas.  Força de Segurança A pasta da Defesa Social foi entregue, no início do mandato de Vilela, ao general da reserva do Exército, Edson Sá Rocha, que já foi interventor da Polícia Militar de Alagoas, no início da década de 90. No entanto, o general não conseguiu conter o avanço da violência no Estado mais pobre do país. No início do mês, Sá Rocha entregou o cargo. No seu lugar assumiu interinamente o subsecretário, o coronel da PM Ronaldo dos Santos.  Ao tomar conhecimento do veto à vida das tropas federais para Alagoas nesta semana, Santos disse que foi pedido o retorno imediato dos 40 policiais militares de Alagoas que estão servindo à Força de Segurança Nacional no Rio de Janeiro.  "Se não tem condições de mandar a Força Nacional para cá, então devolvam os nossos militares que estão no Rio de Janeiro, porque eles fazem falta aqui", afirmou o coronel. Ronaldo dos Santos negou erro no pedido para o envio de tropas da Força de Segurança Nacional para Alagoas. Segundo ele, em nenhum momento, foi citado que esses 100 homens iriam substituir os policiais civis em greve. "Não existe isso. Nós pedidos os 100 homens para reforçar o policiamento na periferia de Maceió e não para fazer o trabalho da Polícia Civil, que é a Polícia Judiciária", acrescentou. Plano inclui 'Lei Seca'  No final da semana passada, Ronaldo dos Santos apresentou à imprensa um plano para combater a violência em Alagoas.Entre as medidas anunciadas está a 'Lei Seca', que impede a vida de bebidas alcoólicas a partir das 22 horas.  A medida entra em vigor a partir da próxima segunda-feira, 25, inicialmente no Tabuleiro dos Martins, mas poderá se estender para outros bairros. Além disso, a Secretaria vai colocar lombadas eletrônicas em postos policiais e câmeras de filmagem na orla marítima e lagunar de Maceió. Ronaldo dos Santos disse ainda que a secretaria já está trabalhando na locação de mais 100 veículos para a Polícia e na compra de viaturas e coletes para os policiais. O secretário informou ainda que as polícias militar, federal e civil vão trabalhar de forma integrada.  Reivindicações salariais Os policiais estão reivindicando equiparação salarial com os peritos criminais, que recebem em torno de R$ 3 mil por mês. O reajuste médio seria de 100%, mas o governo só aceitar pagar 36% de reajuste, parcelado em 36 meses, o que representa um reajuste salarial de 1% ao mês.  Os policias aceitam o reajuste, contanto que seja parcelado no máximo até seis meses. Enquanto o governo faz a contas do impacto do reajuste na folha, a greve continua.  Com a greve da Polícia Civil, as investigações estão praticamente paralisada. Os policiais que estão trabalhando, cerca de 30% do contingente da categoria, ficam nas delegacias apenas para tomar conta dos presos.  Como as investigações estão paralisadas, presos por delitos leves continuam nas celas juntos com traficantes e homicidas. No 4º Distrito Policial, por exemplo, há um homem que está preso há mais de uma semana por ter roubado um queijo.

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