Ministério descarta uso da PF para conter motim em Bangu

O Ministério da Justiça descartou a possibilidade de a Polícia Federal ser usada no controle do motim na penitenciária de Bangu I, no Rio de Janeiro. Agora à noite os secretários nacional de Justiça, Antônio Rodrigues de Freitas Júnior, e de Segurança Pública, José Vicente Silva Filho, viajam para o Estado, onde irão discutir com a governadora Benedita da Silva (PT) a transferência de presos, mas para presídios no próprio Estado.A rebelião no presídio deixou o governo federal em estado de alerta pelo fato de lá estarem os mais perigosos criminosos ligados ao tráfico de drogas. Entre eles, Fernandinho Beira-Mar, que foi indiciado inclusive pelo Estados Unidos. O ministério da Justiça vai tentar liberar, em regime de emergência, recursos para a reconstrução da penitenciária. Dos mais de R$ 50 milhões recebidos pelo governo estadual para esta área, pelo menos 90% era do Fundo Nacional Penitenciário (Funpen) e apenas 10% do tesouro local.Apesar disso, o governo federal não pretende assumir o ônus da transferência dos presos, segundo os dois secretários. "Não é da União a competência pelos presídios regionais", afirmou Freitas Júnior. "A União não pode oferecer o que não tem: alojamento para presos, porque não tem presídios federais. A hipótese de transferir algum presos para outros Estados não depende de decisão administrativa, mas sim judicial e também o estado hospedeiro precisa aceitar."O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Orlando Fantazzini (PT-SP), informou que pretende designar deputados do Rio de Janeiro para que acompanhem as investigações sobre a rebelião no presídio de Bangu 1. Fantazzini se disse chocado com o ocorrido e apoiou a decisão da governadora Benedita da Silva de autorizar a invasão policial no presídio. "Acho que a governadora avaliou que era menos prejudicial à sociedade tomando a decisão de invadir o local", afirmou o deputado. Fez a ressalva, porém, de que não conhecia as circunstâncias do episódio. Na sua avaliação, o que ocorreu foi resultado da falência do sistema penitenciário, não só do Rio mas em todo o País. Ele acrescentou que é fundamental apurar as mortes ocorridas no local. Fantazzini afirmou ainda que deverá conversar com os deputados Fernando Gabeira (PT), Laura Carneiro (PFL), Valdeci Paiva (PFL) e Eder Silva (PST), todos do Rio de Janeiro, para definir a composição da comissão que irá acompanhar as investigações em Bangu 1.

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