Polícia Civil
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Ministério determina recolhimento de todos os produtos da cervejaria Backer

A empresa vem sendo investigada depois da morte de uma pessoa e a internação de outras dez que teriam consumido a cerveja Belorizontina. Cervejaria já tinha sido interditada na última sexta

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

13 de janeiro de 2020 | 18h17
Atualizado 14 de janeiro de 2020 | 16h24

BELO HORIZONTE - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento determinou nesta segunda-feira, 13, o recolhimento e a suspensão da comercialização de todos os produtos da cervejaria mineira Backer fabricados entre outubro de 2019 e 13 de janeiro de 2020. A medida vale também para chopes e atinge, no total, 21 rótulos. 

A venda está proibida até que seja descartada a possibilidade de contaminação dos produtos. A Backer vem sendo investigada depois da morte de uma pessoa e a internação de outras dez que teriam consumido a cerveja Belorizontina, fabricada pela empresa mineira. A Backer foi interditada pelo próprio ministério da Agricultura no último dia 10, sexta-feira.

A pasta ressalta, porém, que "até o momento não há resultado laboratorial que confirme a presença de etilenoglicol ou dietilenoglicol em outras marcas de cerveja da empresa, estes produtos estão sendo analisados e, caso existam resultados positivos, novas medidas serão adotadas".

Segundo informações da Polícia Civil, até o momento houve confirmação para a presença do dietilenoglicol em três lotes da cerveja Belorizontina comercializados em Belo Horizonte e no Espírito Santo. Já houve a confirmação da substância no organismo de quatro pessoas que consumiram a bebida e passaram mal.

Hoje, a corporação informou que foi encontrado ainda dietilenoglicol, e também monoetilenoglicol em um chiller da fábrica da Backer em Belo Horizonte. O chiller é uma serpentina que circula o tanque em que a cerveja é armazenada. As duas substâncias são utilizadas para resfriamento e, conforme a Polícia Civil, ambos são altamente tóxicos.

Nota do ministério afirma que "além da cerveja Belorizontina, o Ministério da Agricultura intimou a cervejaria a realizar recall de todas as cervejas e chopps de todas as marcas produzidas no período de outubro de 2019 até a presente data, ficando a sua comercialização suspensa até que seja descartada a possibilidade de contaminação de demais produtos. Até o momento não há resultado laboratorial que confirme a presença de etilenoglicol ou dietilenoglicol em outras marcas de cerveja da empresa, estes produtos estão sendo analisados e, caso existam resultados positivos, novas medidas serão adotadas".

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou no início da noite desta segunda que foram notificados até o momento 17 casos de intoxicação pelo dietilenoglicol. Do total, uma é mulher e 16, homens. Quatros casos já foram confirmados, com uma morte. Os 13 casos restantes, segundo a pasta, continuam sob investigação, por "apresentarem sinais e sintomas com relato de exposição". Há a confirmação de dez internações, por enquanto. 

Empresa diz ter contratado perícia independente

A cervejaria Backer afirmou nesta segunda, 13, em nota que, neste momento, "mantém foco nos pacientes e em seus familiares", e que "continua colaborando com as investigações". A Backer informou também que contratou "perícia independente e aguarda resultados".

"Nesse momento, a Backer mantém o foco nos pacientes e em seus familiares. A empresa prestará o suporte necessário, mesmo antes de qualquer conclusão sobre o episódio. Desde já se coloca à disposição para o que eles precisarem", diz a nota.

A cervejaria segue dizendo que continua colaborando, sem restrições, com as investigações", e que "segue apurando internamente o que poderia ter ocorrido com os lotes de cerveja apontados pela polícia". "A Backer adianta que, na semana passada, solicitou uma perícia independente e aguarda os resultados. Reitera que, em seu processo produtivo, utiliza, exclusivamente, o agente monoetilenoglicol".

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