Ministério nega responsabilidade do governo sobre Beira-Mar

O Ministério da Justiça isentou o governo federal de qualquer responsabilidade sobre a transferência do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, de Brasília para o Rio. "O Ministério lembra que o Fernandinho Beira-Mar está no Rio por conta de decisão judicial e sairá do Rio se assim for o entendimento do Judiciário", informou a assessoria de imprensa. Em entrevista ontem, o secretário de Segurança do Rio, Roberto Aguiar, disse que a responsabilidade pela permanência do traficante no Rio está nas mãos do presidente Fernando Henrique. O Ministério da Justiça reiterou também o apoio do governo federal às ações do governo do Rio de Janeiro para tentar solucionar o que chamou de "crise de gestão penitenciária". O secretário do Rio ainda informou, na entrevista de ontem, que enquanto o governo federal não resolver "esta questão que pôs no colo do Estado do Rio", todos os presos transferidos de Bangu I para o quartel do Batalhão de Choque da Polícia Militar ficarão isolados. A assessoria de imprensa do Ministério informou que, desde o início da rebelião em Bangu I , na quarta-feira passada, se colocou ao inteiro dispor do governo do Rio para ajudar a solucionar a crise. Por determinação de Fernando Henrique, o secretário Nacional de Justiça, Antônio de Freitas, e o de Segurança Pública, coronel José Vicente, viajaram ao Rio de Janeiro para acompanhar de perto a situação e auxiliar o governo do Rio nas alternativas que achasse as mais viáveis."O Ministério da Justiça reitera o seu apoio ao governo do Rio", declarou a assessoria. O governo federal tem mantido conversas com o governo do Rio, mas oficialmente nada foi solicitado ao Ministério da Justiça. Fernandinho Beira-Mar foi transferido no início de abril da sede da Polícia Federal em Brasília para o presídio de segurança máxima Bangu I, no Rio. Na última quarta-feira, integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) promoveram uma rebelião no presídio para matar rivais do Terceiro Comando (TC). Quatro presos foram mortos. Entre eles, um dos mais perigosos bandidos do Rio, Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê. Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, foi espancado. O levante foi liderado por Beira-Mar, que estaria tentando unificar nacionalmente as facções e decidiu eliminar desafetos. A rebelião resultou na exoneração do diretor de Bangu 1, Ricardo Couto, e do diretor do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), Edson de Oliveira, e no afastamento de 12 agentes, suspeitos de terem facilitado a entrada de armas e o motim. Ontem o secretário de Segurança do Rio, Roberto Aguiar, apresentou o major da Polícia Militar, Hugo Freire Filho, para comandar o Desipe.

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