Ministério para lá de provisório

Nas conversas de bastidores com lideranças dos principais partidos da base de apoio ao Planalto e governadores aliados há um sentimento unânime, expresso em três constatações básicas: 1) o ministério é fraco; 2) o ministério é para lá de provisório; 3) Dilma Rousseff escolheu com base apenas nos acordos políticos do patrono, Luiz Inácio Lula da Silva, e no xadrez das bancadas governistas.

Bastidores: Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

Na marca provisória, o primeiro ministério Dilma guarda até uma semelhança com o ministério com o qual Lula começou a governar, em 2003. O presidente empregou uma constelação de desempregados das urnas - de Benedita da Silva a Humberto Costa, passando por Jaques Wagner, José Fritsch, Nilmário Miranda e outros mais. A homenagem da transitoriedade à ineficiência era tão patente que, ao final de um ano, Lula teve de vassourar a Esplanada e fazer a primeira reforma.

A vassalagem a Lula e ao paroquialismo das bancadas partidárias, no caso do ministério Dilma, são preponderantes. O caso do PSB, antes e depois de Ciro Gomes entrar em cena, espelha bem o calculismo das escolhas. Ao final, Dilma trabalhou para satisfazer Eduardo Campos e os 5 deputados de Pernambuco - com Fernando Bezerra na Integração Nacional - e a família Gomes e os 5 do Ceará - com Leônidas Cristino na Secretaria de Portos.

Um líder aliado concluiu: "Satisfeitos os caciques, sobrou o PSB do Rio, que tem Romário e está ligado em outras jogadas, o PSB do DF, que foi atendido pelo governo Agnelo Queiróz (PT), e Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, que será atendido pelo governador Tarso Genro (PT). Sobrou apenas um PSB muito insatisfeito, o paulista Márcio França. Um caso só, então o problema está resolvido". A reforma ministerial já espreita o governo. E Ciro Gomes sabe disso.

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