Daniel Teixeira/AE
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Ministério Público diz que houve 'negligência' em acidente no Hopi Hari

'Que houve negligência me parece evidente. Quero saber em qual nível, grau e momento', disse o promotor

TATIANA FÁVARO - O Estado de São Paulo,

26 Fevereiro 2012 | 14h55

CAMPINAS - O Ministério Público do Estado de São Paulo em Vinhedo vai investigar as causas da morte da adolescente Gabriella Yukari Nichimura, de 14 anos, após queda do brinquedo La Tour Eiffel do parque de diversões Hopi Hari, na última sexta-feira, 24.

De acordo com informações do promotor criminal de Vinhedo, Rogério Sanches, o Ministério Público trabalhará em duas frentes: uma, de investigação criminal paralela às apurações da Polícia Civil e outra, para analisar consequências e providências do ponto de vista do consumidor.

O promotor informou que irá ao parque nesta segunda-feira, junto a um perito do Ministério Público. "Que houve negligência me parece evidente. Quero saber em qual nível, grau e momento. Se foi na manutenção do brinquedo ou na fiscalização da segurança", afirmou o promotor.

Sanches disse que quer nomes de quem direta ou indiretamente cuida da atração, além de buscar entender como funciona o brinquedo do qual caiu Gabriella, para iniciar o processo de investigação da Promotoria.

"Preciso saber a força do impacto, se a garota poderia estar presa e se soltar e como isso seria", disse.  Segundo Sanches, a promotora Ana Beatriz Sampaio vai analisar o caso do ponto de vista do consumidor, levando em consideração número e capacitação de funcionários, quesitos de segurança, primeiros socorros e questões técnicas do parque, como manutenção. "Ela (a promotora) vai olhar mais para o futuro do que se limitar ao inquérito, ao caso", afirmou Sanches.

Neste sábado o Hopi Hari informou, por meio de nota oficial, que a empresa possui profissionais habilitados pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que envia representantes para visitas técnicas periódicas ao local. Por meio de assessoria, o parque informou que engenheiros fazem, todos os dias, antes da abertura dos portões, uma vistoria em todos os brinquedos.

Embora a Polícia Técnica tenha feito perícia e testes do brinquedo no dia do acidente, o delegado de Vinhedo, Álvaro Santucci Noventa Júnior, informou que voltará ao parque nesta segunda-feira e nova perícia deverá ser feita nesta semana. O delegado vai ouvir os pais da menina, funcionários e visitantes.

Três pessoas já deram depoimento à Polícia Civil e foram contundentes, segundo Noventa Júnior, em afirmar que a trava abriu durante a queda livre. Não se sabe ainda a causa da abertura do equipamento.

Gabriella estava a uma altura entre 20 e 30 metros do chão quando caiu. A garota tinha dupla nacionalidade (japonesa e brasileira), morava no Japão com os pais e uma irmã mais nova e estava em férias com a família na casa de parentes, em Guarulhos. A menina foi socorrida ao Hospital Paulo Sacramento em Jundiaí, por uma Unidade de Terapia Intensiva Móvel que estava no parque, mas chegou ao município vizinho sem vida. O corpo foi para Guarulhos nesta sexta-feira e foi enterrado neste sábado.

A Polícia Civil de Vinhedo solicitou a colaboração de visitantes que fizeram imagens de câmeras fotográficas ou telefones celulares, para o fornecimento do material como ajuda nas investigações.

 

 

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