Bombeiros do Ceará
Bombeiros do Ceará

Ministério Público do Trabalho do Ceará vai investigar desabamento

Objetivo é apurar responsabilidades quanto ao cumprimento das normas de proteção ao meio ambiente de trabalho

Carmen Pompeu, Especial para O Estado

23 de fevereiro de 2016 | 17h14

FORTALEZA - O Ministério Público do Trabalho no Ceará (MPT-CE) abriu, nesta terça-feira, 23, procedimento para investigar as circunstâncias do desabamento da ponte sobre o Canal do Lagamar na segunda à noite, matando dois operários e ferindo outros sete. O objetivo é apurar responsabilidades quanto ao cumprimento das normas de proteção ao meio ambiente de trabalho. O procurador Antonio de Oliveira Lima será o responsável por conduzir as investigações.

A Prefeitura de Fortaleza vai notificar a empresa paulista Ferreira Guedes S.A. responsável pelas obras da ponte. A construtora tem três contratos de obras com a Prefeitura: os túneis da Avenida Engenheiro Santana Junior e da Via Expressa com Padre Antonio Tomás, e trabalhos de intervenção no trânsito na Avenida Aguanambi.

Nesta, está prevista a construção de dois viadutos, uma rotatória e a duplicação da ponde sobre o canal do Lagamar. O acidente ocorreu na ponte e não no viaduto, como inicialmente foi informado. Os corpos dos dois operários foram resgatados durante a madrugada.

Os mortos foram identificadas como Francisco Flávio Martins, 49 anos, que trabalhava como servente, e Oliveira Andrade Braga, 39 anos, carpinteiro. No total, foram nove vítimas. Além dos dois mortos, outros três operários ficaram com ferimentos graves e foram levados para o Instituto Dr. José Frota (IJF). Outros quatro tiveram atendimento médico no local do acidente.

Nesta terça-feira, apenas um dos três operários levados para o IJF seguia internado. Francisco das Chagas Fernandes da Silva e Francisco Cristiano Coelho de Oliveira tiveram alta. Já Enésio de Sousa, 45 anos, permanecia no hospital para refazer alguns exames.

Comissão de investigação. O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), foi ao hospital e visitou, ainda na segunda-feira, os operários feridos. Além de notificar a construtora, o prefeito disse que será aberta uma sindicância para apurar as causas e os responsáveis pelo desabamento. Durante a tarde desta terça, ele se reuniu com a comissão que será responsável pela investigação.

Compõem a comissão representantes da Secretaria da Infraestrutura de Fortaleza e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, e órgãos externos como o Conselho Regional de Engenharia e Agricultura do Ceará (Crea-CE) e o Ministério Público, além da Polícia Civil.

De acordo com Roberto Cláudio, vítimas e familiares receberão toda a assistência da Prefeitura. "Agora a nossa responsabilidade é investigar se houve alguma responsabilidade ou algum responsável direto ou indireto pelo incidente. Esse é o nosso papel e nós vamos fazer isso de forma transparente. É o que devemos para as famílias dos trabalhadores e também para a cidade de Fortaleza que se encontra, como eu, indignado com o acontecimento", afirmou o prefeito.

A construtora Ferreira Guedes se pronunciou por meio de nota, na qual  afirmou lamentar profundamente o acidente e que prestará total apoio às vítimas e seus familiares. De acordo com a nota, os trabalhos estavam sendo executados por uma empresa terceirizada. No momento do acidente, entre 20 a 30 pessoas trabalhavam no local. Todas elas eram funcionárias da empresa Rebar Services, subcontratada pela Ferreira Guedes para executar serviços de montagem de obras de grande porte.

As obras faziam parte da matriz de responsabilidade da Prefeitura de Fortaleza para a Copa de 2014, mas só começaram a ser executadas em junho do ano passado. O investimento é de R$ 31 milhões, com recursos oriundos da Caixa Econômica Federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.