Ministério Público investiga entrevistas de presos na TV

O Ministério Público de São Paulo abriu nesta quarta-feira, 24, um inquérito civil para apurar as entrevistas com supostos líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), exibidas pela televisão entre 15 e 19 de maio, período em que o estado de São Paulo foi abalado por uma onde de ataques a pessoas e imóveis do sistema de segurança e de rebeliões em presídios.Um dos argumentos usados para a abertura do inquérito, segundo a portaria do MP, foi a divulgação de notícias de que as emissoras Bandeirantes, Record e RedeTV! teriam "veiculado falsas entrevistas ou falsas informações sobre a recente e lamentável onda de ataques, deflagradas pelo crime organizado, cujo conteúdo é de veracidade duvidosa e com pesado apelo psíquico e emocional".A portaria cita nominalmente os jornalistas Marcelo Rezende, da RedeTV! e Roberto Cabrini da Rede Bandeirantes, além da Rede Record. A procuradora Débora Pierre foi quem investigou a fraudulenta entrevista com líderes do PCC veiculada por apresentador Gugu Liberato, no SBT, há dois anos.No texto, é citada a "falsa entrevista" com Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, apontado como o líder do PCC, feita pelo jornalista Roberto Cabrini, da Rede Bandeirantes. Para ela "a responsabilidade do apresentador Roberto Cabrini e da própria Rede Bandeirantes deve ser apurada, pois ainda que a entrevista seja verídica, violaram norma legal que impede comunicação daqueles que se encontram em regime especial de retenção".No momento da entrevista, feita por telefone, Marcola estava detido no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, sob Regime Disciplinar Diferenciado, no qual o preso é mantido incomunicável.A procuradora cita também entrevista com outro suposto integrante do PCC, conhecido como Macarrão, transmitida pelo Jornal da Noite da Rede Record, cujo apresentador não identifica. Ela se propõe também a apurar a responsabilidade do jornalista Marcelo Rezende na divulgação de "suposta orientação, que teria sido dada pela Polícia Militar para que os alunos de universidades fossem liberados em razão da segurança, o que causou grande pânico".Leia íntegra da Portaria na Revista Consultor Jurídico

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