Ministério Público investiga rompimento de barragem em MG

O Ministério Público de Minas Gerais informou nesta quinta-feira que instituiu uma comissão de promotores de Justiça para, juntamente com o Ministério Público do Rio de Janeiro, apurar as causas do rompimento da barragem da Mineradora Rio Pomba Cataguases. Em conjunto, os procuradores e promotores irão estudar as possíveis medidas emergenciais a serem adotadas, principalmente em Miraí, na Zona da Mata mineira. A cidade-sede da empresa foi a mais atingida pelo acidente. O vazamento de pelo menos dois bilhões de litros de lama deverá atingir o estado do Rio de Janeiro. De acordo com o MP mineiro, portaria formalizando a parceria entre os dois Ministérios Públicos será assinada nos próximos dias e representantes das promotorias agendaram para esta sexta-feira uma vistoria e reunião com órgãos ambientais em Miraí.Segundo o procurador Rodrigo Cançado, do MP de Minas, também está prevista uma reunião com representantes da mineradora. "Já que a empresa está se prontificando a colaborar da melhor maneira possível, vamos conversar sentar e aquilo que emergencialmente pediríamos em uma ação civil, vamos tentar obter extrajudicialmente este compromisso", afirmou.Solução imediataO governo de Minas fixou nesta quinta-feira uma multa de R$ 75 milhões à Rio Pomba Cataguases pelo acidente, com o agravante da reincidência. A idéia é que os recursos sejam revertidos de imediato para a reparação dos danos ambientais e materiais. Nesta quinta, uma força-tarefa constituída emergencialmente em Miraí - formada por órgãos ambientais de Minas, Defesa Civil e Bombeiros - cobrou da mineradora uma solução imediata para evitar que novas chuvas provoquem o deslizamento do restante da lama da barragem.A empresa terá um prazo de 24 horas para apresentação da proposta. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) informou que encaminhou cópia do Auto de Fiscalização à mineradora, notificando a suspensão de suas atividades no município.Cidades atingidasEm Minas, além de Mirai, a correnteza de lama atingiu as cidades de Muriaé e Patrocínio do Muriaé, na divisa com o Rio. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) tratou a situação na cidade como "estabilizada". Os danos ainda estão sendo calculados. De acordo com o órgão, pelo menos duas mil pessoas na cidade - que tem população de 12,5 mil habitantes - foram afetadas pelo acidente, sendo que 500 ficaram desalojadas (precisaram ir para casa de amigos e parentes). Outras 46 estavam desabrigadas e foram levadas para a Escola Municipal Dr. Justino Pereira. Ao todo, sete bairros - principalmente os localizados na parte baixa do município - foram atingidos: Indaiá, Argeu, Centro, Vila Duarte, Fábrica, Cerâmica e Tucano. Segundo a Defesa Civil não havia registros de feridos graves ou vítimas fatais.A força-tarefa, instalada na Câmara Municipal de Miraí, registrou até o início da tarde de ontem (11) 118 solicitações de vistorias em residências em situação de risco. Pelo menos seis casas foram totalmente destruídas.Em Muriaé, a Defesa Civil municipal chega a falar em aproximadamente 10 mil desalojados, afetados principalmente pelas chuvas. Boa parte da cidade está alagada. O Estado não conseguiu contato na noite desta quinta-feira com autoridades em Patrocínio de Muriaé.

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