Ministério Público mantém prisão temporária de sócio da boate Kiss

Também foi negado o pedido de transferência de Elisandro Callegaro Spohr para presídio de Ijuí

Tássia Kastner,

05 Fevereiro 2013 | 18h13

PORTO ALEGRE - O Ministério Público do Rio Grande do Sul indeferiu o pedido de revogação da prisão temporária de Mauro Londero Hoffmann, um dos sócios da boate Kiss, de Santa Maria, que pegou fogo no dia 27 de janeiro e matou 238 pessoas, e do produtor da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão. A banda usou um sinalizador que teria dado início ao incêndio na casa noturna.

Os promotores de Justiça de Santa Maria, Joel Dutra e André Fernando Rigo, também indeferiram o pedido de Elisandro Callegaro Spohr, outro sócio da boate, que solicitou transferência para a penitenciária de Ijuí. Também conhecido como Kiko, o empresário está internado em uma clínica em Cruz Alta, sob custódia da polícia, para tratamento dos efeitos da fumaça tóxica na boate, e tinha previsão de alta para esta terça. Após a alta, ele deve ser transferido para a penitenciária de Santa Maria.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul.

A tragédia começou às 2h30 de domingo (27/01), quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo- eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Em entrevista à Radio Estadão na manhã da última quinta-feira, 31, o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro disse que a Prefeitura não deveria ter concedido alvará para a casa noturna.

"Mesmo que (a boate) estivesse dentro de normas legais de engenharia, qualquer leigo olharia aquele local e não daria alvará. Não tinha portas laterais, era uma espécie de alçapão, uma estrutura predatória da vida humana. E era visível que a casa estava preparada para receber mais gente do que o autorizado, cerca de 600 pessoas", afirmou Genro.

O governador disse, ainda, que a Prefeitura deveria ter lacrado a boate em agosto, quando venceu o alvará dado pelo Corpo de Bombeiros. "Mesmo que o documento esteja em análise, a casa deveria estar fechada até o documento sair."

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