Ministério será ao mesmo tempo político e técnico, diz candidata

'Não pode ser o técnico frio nem o político sem capacidade, competência e qualificação', define a presidenciável petista

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

O perfil do ministério de um eventual governo da petista Dilma Rousseff será, ao mesmo tempo, político e técnico, informou a candidata ontem, depois de participar de cerca de duas horas de gravação para seus próximos programas eleitorais de rádio e TV.

Ao contar como pretende preencher o ministério, Dilma deu um recado aos partidos que formam sua aliança, ansiosos para tratar da divisão do poder, já que a petista segue em ascensão nas pesquisas eleitorais - hoje, venceria no primeiro turno.

Pela declaração de Dilma, tanto políticos como técnicos serão bem-vindos. Como o PMDB está sob pressão do PT e de outros partidos por ter manifestado sua intenção de dividir o poder meio a meio - conforme reportagem publicada domingo pelo Estado -, a fala de Dilma serviu como consolo ao PMDB, o grande parceiro da aliança.

"Não acho que tem uma área exclusiva para técnico e outra para político. Acho que o político deve combinar competência técnica e capacidade, e que o técnico deve ter jogo de cintura",disse. "Não pode ser o técnico frio nem o político sem capacidade, competência e qualificação."

Ajuste fiscal. Dilma afirmou que não fará ajuste fiscal se vencer porque, segundo ela, não há cenário de crise no Brasil. "O Brasil tem estabilidade, taxa de inflação sob controle, dívida caindo." Segundo ela, não haverá redução da meta de inflação, hoje de 4,5% ao ano.

"Reduzir meta de inflação não se faz no cenário internacional que a gente está. Porque o cenário pode ser ainda o de depressão. É prudente manter as coisas como estão." Para a candidata, ajuste fiscal não é uma virtude, mas fruto da necessidade. Segundo ela, quando for necessário - como no início do governo Lula, em 2003 - deve haver cortes setoriais e contingenciamento orçamentário, mas nunca um corte linear que impeça investimentos. De acordo com a petista, ela ainda não tratou com sua equipe sobre reajustes para o funcionalismo nem para mais, nem para menos. "Reajuste do funcionalismo é aquele que é merecido."

A candidata ainda trouxe à tona o tema da reforma tributária - segundo ela, conjugada com uma reforma estrutural, de forma a desonerar a folha salarial e os investimentos e pôr fim à guerra fiscal entre os Estados.

Dilma se comprometeu a acabar com o pagamento parcelado dos créditos tributários que o governo deve aos empresários e disse que devolverá tudo imediatamente. "Isso é utilizado para que o Estado possa fazer caixa, mas acaba pagando juros e correção inflacionária para isso".

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