Ministério vai à Ucrânia auditar programa espacial

O governo brasileiro decidiu viajar à Ucrânia para concluir a auditoria na execução do programa espacial tocado pelo PSB até março deste ano. O presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Raupp, viaja no dia 2 de julho com a missão de comprovar se o projeto de lançamento do foguete Cyclone 4 da base de Alcântara (MA) vem sendo cumprido pelos ucranianos. "Vou ver o estágio do foguete e verificar o andamento desses contratos feitos na Ucrânia em relação a equipamentos e componentes", afirmou. A viagem, segundo ele, foi determinada pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2011 | 00h00

Reportagem do Estado mostrou ontem que o programa espacial do Cyclone 4, orçado em R$ 1 bilhão, está paralisado em meio a uma disputa política entre PSB e PT e falta de dinheiro. Mercadante ordenou que Raupp viaje sem a companhia da direção da Alcântara Cyclone Space (ACS), empresa criada pelos governos de Brasil e Ucrânia em 2007 para desenvolver o projeto de lançamento de satélites comerciais por meio do foguete no Maranhão.

A empresa binacional era dirigida até março pelo vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, que deixou o cargo após a chegada de Mercadante. Ao assumir, a presidente Dilma Rousseff cortou os R$ 50 milhões previstos para o programa em 2011 enquanto não for concluída uma auditoria na sua execução.

A ACS faz contratos sem licitação e não presta contas a órgãos como Tribunal de Contas da União e Controladoria-Geral da União. Sem dinheiro, entrou em crise financeira, parando de pagar fornecedores desde abril. "A visita à Ucrânia é o que está faltando nesta análise", disse Raupp. Ele levará diretores da agência espacial na viagem e visitará as duas indústrias contratadas pelo governo da Ucrânia para tocar o projeto.

A viagem também é uma resposta do governo brasileiro à postura dos parceiros estrangeiros de não cumprirem o aporte de 50% dos recursos no programa espacial. O Brasil já transferiu R$ 218 milhões, enquanto a Ucrânia, R$ 98 milhões. "A condução do processo tem que ser equilibrada", disse Raupp.

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