Ministra critica concepção de Estado dos tucanos

Ministra critica concepção de Estado dos tucanos

Quarenta e oito horas antes de passar o bastão da Casa Civil para se tornar candidata do PT à Presidência, a ministra Dilma Rousseff atacou os tucanos e indicou que o debate sobre o papel do Estado na economia dominará a campanha. No lançamento da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ontem, Dilma não poupou críticas ao PSDB e disse que o governo anterior foi marcado pelo "Estado do não".

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Mesmo sem citar explicitamente o partido do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) ? seu futuro adversário na disputa ? e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a ministra adotou tom de candidata.

A uma plateia formada por políticos de siglas aliadas, Dilma rebateu, nas entrelinhas, insinuações de que a plataforma de governo do PT tem viés estatizante. Não foi só: acusou o PSDB de defender um Estado "omisso".

"O Estado mínimo do neoliberalismo que nos antecedeu (...) era o Estado do não: não tinha planejamento estratégico, não fortalecia empresas públicas, não promovia alianças com o setor privado", afirmou a petista, sob aplausos. Animada, ela continuou: "Antes de ser o Estado mínimo, foi um Estado omisso."

Dilma e Serra travam um duelo nos bastidores sobre o modelo desenvolvimentista. Para a ministra, é necessário mesclar incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda. O governador permanece mais apegado à vertente que prega o investimento puro, criticando o que chama de "gastança".

Na solenidade preparada sob medida para destacar sua capacidade de gerente, Dilma também discorreu sobre números, mas se embaralhou com alguns deles. "Alguém podia trazer os meus óculos", comentou, apesar de usar lentes para miopia.

Ela chegou a ficar com a voz embargada quando se dirigiu ao presidente Lula. "Este é o Brasil que o senhor recuperou e que os brasileiros não deixarão mais escapar de suas mãos", discursou a ministra candidata, encarnando o pós-Lula. "O Brasil cresceu com o PAC e, vai, eu espero, continuar crescendo com o PAC2", emendou, numa referência ao carro-chefe de sua campanha.

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