Ministra critica propaganda de Gisele e nega tentativa de interferir em novela da Globo

Iriny Lopes, ministra de Política para as mulheres, afirmou que apenas deu uma 'sugestão' à emissora; já a propaganda é 'sexismo atrasado'

Jair Stangler, estadão.com.br

07 Outubro 2011 | 16h53

SÃO PAULO - A ministra da Secretaria de Políticas paras as Mulheres, Iriny Lopes, afirmou nesta sexta-feira, 8, que deu apenas uma "sugestão" ao pedir que a TV Globo ajudasse a divulgar o serviço de Atendimento à Mulher e Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 na novela Fina Estampa.

Na novela "Fina Estampa", a personagem Celeste, interpretada pela atriz Dira Paes é sistematicamente agredida pelo marido Baltazar, interpretado por Alexandre Neto, e não tem a coragem de denunciá-lo. O autor da novela, Aguinaldo Silva, não gostou da interferência e afirmou que a ministra quer escrever a novela em seu lugar. Já a Rede Globo escreveu em nota que entendeu que a sugestão seria "uma colaboração dentro do espírito de parceria que tem marcado nosso relacionamento" e não como "uma tentativa de coibir a liberdade de expressão".

ASSISTA À ENTREVISTA DA MINISTRA À TV ESTADÃO

Em entrevista concedida ao Estadão.com.br nesta sexta-feira, 8, a ministra afirmou considerar que as novelas tem grande dimensão social muito grande e aborda temas fundamentais. Lembrou a personagem vivida por Helena Ranaldi, que apanhava de raquete do marido, que fez campanha do 180. "Para mostrar que as mulheres podem e tem onde buscar amparo quando elas são violentadas, quando são agredidas. No ofício que eu enviei à Globo, eu coloquei isso, que é uma sugestão que pode ou não ser acatada", explicou.

Quanto à resposta do autor da novela, Iriny considera que é "é direito dele acolher ou não. O objetivo não foi de interferir.

De acordo com Iriny, a superação da violência contra a mulher não passa exclusivamente pelo sistema de segurança. "Isso passa também pela construção de uma nova postura, de uma nova cultura, de uma nova concepção de convivência, e de como enxergar as mulheres, já que até então vem sendo naturalizada em muitos casos essa violência. Nós achamos que os meios de comunicação tem uma contribuição a dar. Não tem uma obrigação, mas tem uma parcela de contribuição", avaliou.

Polêmica com Gisele. A ministra respondeu ainda à questão sobre a polêmica da propaganda de lingerie da Hope em que a modelo Gisele Bündchen aparece mostrando o jeito "certo" de dar uma má notícia ao marido (só com lingerie) e o jeito "errado" (com roupa normal). A secretaria pediu ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) que retire do ar a propagada - pedido que ainda está sendo avaliado. Ela alegou que essa peça rompe as regras estabelecidas pela Conar e caracteriza um "sexismo atrasado e superado".

 

"Isso não é uma tutela. A publicidade forma opinião e isso é estereotipar a mulher como um indivíduo na sociedade que para ter uma condição igual ou para interromper um processo de agressão ou para não sofrer nenhuma repreensão precisa usar o corpo para isso. Quando a mulher pode usar a cabeça, a boca, como qualquer ser humano. Nada contra o humor. Mas nessa caracterização do que é certo e do que é errado há uma indução à manutenção da imagem da mulher como veio sendo construída secularmente, de ser secundarizada, ser subalterna", disse.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.