Ministra recorda ''efeitos nefastos de censura'' e prega liberdade

Helena Chagas elogia Franklin Martins, o antecessor, e promete ter ''postura de jornalista'' na Comunicação Social

Leonencio Nossa e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

Com discurso conciliador, a jornalista Helena Chagas assumiu ontem a Secretaria de Comunicação Social. Na posse, reafirmou declarações da presidente Dilma Rousseff em defesa da liberdade de imprensa. "É desnecessário lembrar aqui as numerosas vezes em que a presidente Dilma demonstrou seu profundo apreço por esse importante pilar da democracia", disse. "Abrir mão da liberdade de imprensa é impensável também para a minha geração, que é aquela que cresceu durante o regime militar."

Helena afirmou que, num governo democrático, a comunicação social deve passar sempre pela "rigorosa e intransigente" defesa da liberdade de imprensa. Ressaltou que, no cargo de ministra, manterá a postura de jornalista, que na avaliação dela tem a função de garantir às pessoas informações suficientes para formar sua própria opinião e ter uma postura autônoma.

Ao lado de Franklin Martins, seu antecessor, Helena contou que conheceu Luís de Camões nas edições censuradas do Estado, durante a ditadura militar. "Conheci cedo os efeitos nefastos da censura. Eu lia quase diariamente os grandes poetas, Camões, Os Lusíadas, nas capas do Estadão, onde meu pai trabalhava", disse, sorrindo. "Por ser criança, demorei para entender que a poesia estava ali para substituir matérias censuradas."

Helena elogiou o trabalho de Martins e disse que dará continuidade a ações do ministro, garantindo que manterá "critérios técnicos" na distribuição das verbas publicitárias.

Em sua despedida, Franklin disse que não faria um discurso político, mas pessoal, pois tinha "brigado muito" nos últimos anos. Diante de uma plateia de jornalistas, desabafou: "Você vai precisar de sorte, porque as feras aqui são muito simpáticas porque é um momento de posse. Depois disso, sai de baixo."

Foi diplomático ao comentar a relação "excepcionalmente tensa" da área de comunicação social do governo Lula com a imprensa. Avaliou que a criação da TV Pública, uma de suas ações no governo, enfrentou "olhos mesquinhos, preconceitos rasos e ressentimentos". Mas ressaltou que Helena Chagas tem capacidade e experiência para assumir a pasta.

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