Ministro acredita que apagão foi provocado por falha humana

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informou nesta sexta-feira, 8, que a hipótese de sabotagem no mais recente apagão aéreo está sendo substituída pela de erro humano. Ele disse que as investigações, feitas em conjunto pela Aeronáutica e a Polícia Federal, vão esclarecer em breve a questão. "Ao que tudo indica, foi um erro sério, mas humano. Isso está sendo investigado e será declarado ao final da investigação", observou.Mais cauteloso, o diretor-geral da PF, delegado Paulo Lacerda, informou que só após a perícia que será realizada nos equipamentos do Cindacta 1, de Brasília, será possível decifrar se houve sabotagem ou não. "Em equipamentos é sempre possível haver falha. Mas só a perícia vai determinar se foi erro humano ou material", disse Lacerda. Ele lembrou que a PF foi chamada para cooperar, mas a investigação é da Aeronáutica.Aos prantos, um sargento admitiu na quinta-feira, 8, ter cometido um erro numa operação de transferência de freqüências de rádio do centro de controle de vôo de Brasília (Cindacta-1), o que causou uma pane inédita na terça-feira. Com o apagão, seguiram-se a suspensão de todas as decolagens e o caos nos aeroportos de Brasília, Congonhas (SP) e Confins (MG). O episódio precipitou mudanças no monitoramento de aviões. O governo anunciou que vai descentralizar o controle, transferindo operações do Cindacta-1 para centros do Rio e de São PauloO sargento, cujo nome está sendo mantido em sigilo, garantiu que cometeu o erro involuntariamente, por falta de treinamento. Com isso, o governo praticamente descartou a hipótese de sabotagem, embora a Polícia Federal continue investigando o caso.O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, reconheceu que o Cindacta-1 não tinha um técnico especializado capaz de apontar o problema. Terceiro apagãoO terceiro - e mais grave - apagão nos aeroportos em pouco mais de um mês começou a se desenhar na manhã de terça-feira. Às 9 horas, controladores detectaram interferências corriqueiras nas freqüências de rádio usadas por aviões que decolam do Rio para Brasília. Como o chiado dificultava o contato com as aeronaves, o supervisor acionou um dos sargentos que cuidam da manutenção dos equipamentos.O sargento desviou algumas freqüências para a central de áudio reserva, que funciona conectada e concomitantemente à titular. A transferência é feita por chaves eletrônicas - o operador direciona as freqüências para cada máquina clicando numa tela de computador. Só então o sargento percebeu que a central reserva estava inoperante - passava por manutenção. ´Depois que você faz a troca das freqüências para outra central, o software não aceita a contra-ordem´, disse um oficial.Ao tentar desfazer o erro, o sargento inverteu uma placa, piorando a situação. ´É como se você colocasse pilha num rádio ao contrário´, disse um ministro. O militar abandonou a sala técnica, sem avisar os superiores. ´Essa ´barbeiragem´ desconfigurou o sistema´, afirmou outro militar.

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