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Ministro adia previsão de restabelecer parte do fornecimento da energia no Amapá para sábado

O Estado está no escuro desde a noite de terça-feira, 3, após um incêndio na subestação Macapá. Transformador passa por testes de operação e gradualmente vai distribuir carga, diz Bento Albuquerque

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem a expectativa de restabelecer parte do fornecimento de energia elétrica no Amapá a partir da madrugada deste sábado, 7. O Estado está no escuro desde a noite de terça-feira, 3, após um incêndio na subestação Macapá. Ao todo, 14 dos 16 municípios do Estado foram afetados. Moradores têm relatado falta de água e racionamento de comida na cidade. 

"A partir de 23 horas de hoje (sexta-feira) esperamos que o transformador comece os testes de operação e, gradualmente, vai sendo colocada carga nele e vai sendo distribuído", disse o ministro ao Estadão/Broadcast ao deixar o prédio da pasta nesta noite. "Espero que a partir de hoje à noite, na virada da noite, na madrugada, a carga vá sendo restabelecida."

Na manhã de sexta, Albuquerque afirmou que o plano do governo era restabelecer o fornecimento de 70% da carga no Estado no mesmo, mas isso não aconteceu. O governo trabalha agora com a expectativa de atingir a meta neste sábado, 7. A retomada das condições normais de atendimento, no entanto, deverá ser mais longa, em até 10 dias.

Nesta sexta-feira, aviões militares transportaram geradores e 51 toneladas de materiais que serão utilizados emergencialmente para o restabelecimento do serviço. As aeronaves levarão também máquinas de purificação de óleo. Em nota, o Ministério da Defesa informou que a previsão é terminar a missão amanhã.

"Os testes estão sendo realizados. Não estou falando de um transformador de rua. Estou falando de um transformador de alta tensão. Quando você coloca um transformador desse em operação, você coloca inicialmente sem carga, depois vai acrescentando carga e vai sendo distribuída a energia de acordo com as prioridades estabelecidas pela companhia de eletricidade do Amapá”, explicou o ministro.

Nos últimos dias, moradores da capital têm relatado escassez de água, alimentos e combustível. Cerca de 900 mil pessoas vivem no Estado, e a estimativa é que 85% da população tenha sido atingida pelo apagão. Questionado sobre a possibilidade de o governo federal enviar suprimentos, o ministro disse nesta noite que enviará tudo que for demanda, mas que parte dos serviços já foi normalizada.

"O serviço de abastecimento de água foi normalizado na cidade também por conta dos geradores que foram colocados. Todos os hospitais estão com energia funcionando. Estamos priorizando dentro daquilo que o próprio Estado está colocando como serviços essenciais", disse. "O estado tem combustível suficiente. Em termos de suprimento básico, o estado tem tudo. Tudo que ele solicitar o governo federal vai prover, como já proveu até agora."

Segundo o ministro, o presidente Jair Bolsonaro está sendo atualizado sobre todas as medidas do governo para a volta da normalidade do serviço. Mas, disse que não há previsão que o chefe do Executivo visite o local.

Na noite deste sexta-feira, Bolsonaro gravou um vídeo nas suas redes sociais para dizer que em torno de 60% da necessidade de energia do Estado voltaria ao normal até a meia-noite. "Esperamos num espaço de tempo, o mais breve possível, toda essa questão energética seja restabelecida no nosso Estado do Amapá", disse.  

A partir de meia-noite Albuquerque terá mais uma reunião para tratar da situação. Nesta sexta-feira, Bento cancelou sua participação em evento com Bolsonaro no Paraná para a inauguração de uma pequena central hidrelétrica (PCH), na cidade de Renascença (PR). Questionado se o seu cargo estaria em xeque por causa da crise energética no Amapá, Bento evitou responder. "Isso você tem que perguntar ao presidente. Meu cargo pertence ao presidente."

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