Ministro anuncia plano de expansão de controladores vôo

O ministro da Defesa, Waldir Pires, anunciou nesta sexta-feira, 27, a decisão do governo de estabelecer um "plano de expansão permanente" do número de controladores de vôo para atender o crescimento do mercado de aviação civil. Pires não precisou, no entanto, quantos controladores de vôo existem hoje e quantos a mais serão capacitados. "Vamos ampliar enormemente o quadro", declarou o ministro, alegando que é preciso ter "uma margem de folga significativa para acompanhar a evolução do mercado". O Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek viveu uma manhã de caos. Entre 6h47 e 10h42, 32 vôos com destino a Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), São Paulo e região Sul foram retidos e atrasados por determinação do Departamento de Controle de Fluxo do Tráfego Aéreo, vinculado ao comando da Aeronáutica. Para as autoridades aeronáuticas, o que houve foi o cumprimento de uma determinação para evitar a sobrecarga no trabalho dos controladores de vôo, mas pilotos têm denunciado uma operação-tartaruga.O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse ao Estado que a grande concentração de pessoas no aeroporto resultou em "muita degradação" das instalações. "O aeroporto foi violentamente degradado, de banheiros aos cafés, com demanda excessiva por serviços de táxi e de ônibus", disse Pereira. A Infraero é a estatal que administra os aeroportos, mas é o comando da Aeronáutica - que monitora o espaço aéreo - quem autoriza pousos e decolagens dos aviões. AfastamentoDe acordo com o ministro Waldir Pires, os problemas surgidos nas últimas semanas no tráfego aéreo de Brasília nada tem a ver com o afastamento dos oito operadores do Cindacta-Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo de Brasília, que foram afastados do trabalho porque estavam direta ou indiretamente envolvidos no acidente com o Boeing da Gol e o jato Legacy, ocorrido em 29 de setembro, causando a morte de 154 pessoas, no dia 29 de setembro. Para o ministro, os problemas que ocorreram foi fruto do aumento do volume de vôos. "Houve crescimento do transporte de vôos de empresas e particulares e hoje temos a segunda frota de aviões particulares do mundo", justificou o ministro, explicando que "será dada preferência aos vôos de aeronaves comerciais e não às individuais, de particulares", embora ele tenha salientado que muitos dos problemas ocorridos nos últimos dias têm a ver também com "precipitação atmosférica". Waldir Pires negou ainda que esteja sendo discutido a redivisão das áreas do país controladas pelos sargentos. "Não é necessário", declarou o ministro, justificando que o importante é ter 14 vôos por operador.Novos controladoresApesar de o ministro Waldir assegurar que com a chegada dos novos operadores até o final do ano os problemas de tráfego aéreo nos aeroportos, que vêm provocando transtornos em todo o País, particularmente em Brasília, serão resolvidos, ele mesmo lembrou que os novos técnicos precisam de cinco a seis meses para serem treinados. Waldir Pires também assegurou que todos os novos controladores a serem contratados serão militares da Aeronáutica. "O espaço aéreo é problema de segurança nacional", declarou o ministro, ao explicar que os sargentos da Aeronáutica serão especializados e treinados para trabalhar no centro de controle do tráfego aéreo. "Normalmente serão militares por causa do DECEA (Departamento de Controle de Tráfego Aéreo) e do Cenipa (Centro de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos)", disse ele, referindo-se aos órgãos da Aeronáutica que cuidam do controle do espaço aéreo. Na maior parte dos demais países, no entanto, o controle do tráfego aéreo civil é comandado por civis. Segundo o presidente da associação dos controladores de vôo, há mais de 15 anos não há concursos para profissionais civis nesta área. Para o ministro, "é preciso estabelecer um plano de expansão permanente para atender ao crescimento do mercado".Investigações do acidente Sobre o acidente com o vôo Boeing da Gol, o ministro Waldir Pires disse que o Cenipa prossegue na averiguação das causas do acidente, mas sem se preocupar com culpados. "Eles estão preocupados em extrair lições para se evitar outros acidentes pelos mesmos motivos", declarou o ministro, insistindo que a Aeronáutica está repassando para o juiz de Mato Grosso e a Polícia Federal os dados possíveis. "Queremos plena transparência", comentou ele, ressalvando, no entanto, que os dados das caixas pretas do Boeing e do Legacy, que são protegido por acordos internacionais serão preservados, a não ser que haja uma decisão da Justiça em contrário. "Estes dados das caixas pretas estão regidos por tratados internacionais e só serão repassados por decisão judicial", avisou.

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