Ministro da Defesa coloca Forças Armadas à disposição de Santa Maria

No domingo a FAB cedeu avião para transportar médicos do Rio ao local do incêndio

Agência Brasil,

28 de janeiro de 2013 | 13h22

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Celso Amorim, emitiu nota de pesar nesta segunda-feira, 28, lamentando o episódio ocorrido em Santa Maria (RS), onde um incêndio em uma boate deixou ao menos 231 mortos e dezenas de feridos. De acordo com Amorim, as Forças Armadas estão à disposição para prestar apoio contínuo.

"Expresso, em nome do Ministério da Defesa, a firme disposição das Forças Armadas de prestar contínuo apoio aos esforços para amenizar os efeitos desse triste episódio, do qual, estou seguro, todos sairemos mais fortes", disse o ministro, em nota.

No domingo, 27, a Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou um avião para transportar equipes médicas do Rio de Janeiro à cidade do Rio Grande do Sul. Outras aeronaves também poderão ser utilizadas caso sejam necessárias como unidades de tratamento intensivo (UTI).

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul. Outras 127 ficaram feridas.

A tragédia começou às 2h30 de domingo (27/01), quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Uma fagulha atingiu o sistema de exaustão da casa noturna e o fogo se alastrou rapidamente pelo teto com papelão e material de proteção acústica. A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Uma série de erros potencializou a tragédia. Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Para piorar, seguranças da casa tentaram impedir alguns frequentadores de sair antes de pagar a comanda. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo - eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Ao longo do dia, centenas de manifestações de solidariedade lembraram a tragédia em todo o País. Emocionada, a presidente Dilma Rousseff chorou duas vezes ao falar do caso - ainda no Chile, de manhã, onde deixou um encontro com presidentes, e à tarde, ao lado do governador Tarso Genro, já em Santa Maria.

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