AFP Photo|Evaristo Sa
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Ministro da Justiça responde acusações do governador do Ceará sobre chacina

Torquato Jardim avisou que irá cobrar ações do presidente Michel Temer para conter a onda de violência em Fortaleza

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2018 | 21h50

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Torquato Jardim, em nota oficial, respondeu às acusações do governador do Ceará, Camilo Santana (PT), que tentou atribuir ao governo federal responsabilidade na chacina que matou 14 pessoas em Fortaleza, na madrugada de sábado, 27, sob a alegação de que o seu Estado não fabrica nem armas pesadas nem drogas, que não existe uma política nacional de segurança pública.

O governador petista avisou ainda que ia cobrar ações do presidente Michel Temer para conter a onda de violência local. Na nota, o ministro oferece apoio da do governo federal, mas devolve a responsabilidade na questão de segurança pública para o Estado, lembrando que governadores não pedem ajuda em questão de segurança por questão política. As acusações do governador petista irritaram bastante o Planalto e o Ministério da Justiça.

"O ministro Torquato Jardim reafirma que a União seguirá cumprindo o papel de oferecer apoio técnico e financeiro aos Estados, como vem fazendo regularmente, para que os órgãos de segurança pública trabalhem de forma integrada e harmoniosa, ainda que os governantes não solicitem apoio por razões eminentemente políticas", disse o titular da Justiça, em nota.

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O ministro informou ainda que "uma força-tarefa" de membros da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional foi formada por determinação dele, "para subsidiar a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará com investigação e informações de inteligência".

A nota acrescenta ainda que "o reforço" com a força-tarefa montada "tem objetivo de propiciar aos órgãos de segurança do Estado que atuem para reprimir de forma exemplar a ação de grupos criminosos envolvidos na chacina do último sábado". Durante este domingo, as áreas de segurança dos governos estadual e federal discutiram medidas a serem adotadas no estado.

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Em entrevista ao Estadão/Broadcast, na semana passada, o ministro da Justiça Torquato Jardim afirmou que está trabalhando na finalização de uma Política Nacional de Segurança Pública e na formatação da divisão do seu ministério em duas pastas distintas: uma de Justiça e outra exclusiva para Segurança Pública. O presidente Michel Temer estuda desmembrar as pastas para dar destaque a segurança no debate eleitoral, mas também para acomodar mais aliados na futura reforma ministerial.

"Está em estudo a divisão do ministério, o presidente admite isso. Eu diria até que é um tema que está na moda, até o candidato Geraldo Alckmin já disse que criaria o Ministério da Segurança Publica", disse Torquato, acrescentando que "logo que passar o Carnaval, eu vou entregar para o presidente a Política Nacional de Segurança Publica. Só depois disso é que acho que se deve deliberar se precisa ou não precisa de um ministério separado", ponderou o ministro. Segundo ele, é possível que a divisão seja definida "já na recomposição do ministério, em março talvez."

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A seguir, íntegra da nota oficial do Ministério da Justiça:

"Uma força-tarefa de membros da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional foi formada por determinação do ministro Torquato Jardim para subsidiar a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará com investigação e informações de inteligência.

O reforço tem objetivo de propiciar aos órgãos de segurança do Estado que atuem para reprimir de forma exemplar a ação de grupos criminosos envolvidos na chacina do último sábado (27).

O ministro Torquato Jardim reafirma que a União seguirá cumprindo o papel de oferecer apoio técnico e financeiro aos Estados, como vem fazendo regularmente, para que os órgãos de segurança pública trabalhem de forma integrada e harmoniosa, ainda que os governantes não solicitem apoio por razões eminentemente políticas." 

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