Ministro da Saúde critica normas brasileiras de trânsito

Para Temporão, é preciso 'mudar muita coisa' para que haja queda nos índices de violência nas estradas

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 21h46

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, criticou nesta terça-feira, 27, as normas brasileiras de trânsito e afirmou ser preciso "mudar muita coisa" para que os índices de violência nas estradas sejam reduzidos. Para ele, tais alterações, no entanto, são difíceis de serem alcançadas, principalmente pela pressão de grupos econômicos. "Enquanto isso, a única coisa que a sociedade faz é chorar pelos seus mortos", desabafou.    Veja também: Aprovada venda de bebidas em perímetro urbano das rodovias   Temporão defendeu a prisão de motoristas surpreendidos dirigindo sob efeito do álcool. "Eles precisam ser presos e processados." O ministro sugeriu ainda regras mais rígidas para concessão da carteira de motorista. "Hoje habilitação é entregue para pessoas que não têm condições emocionais para isso", disse.   Em sua avaliação, é preciso fazer uma revisão profunda nessas normas, que permitiriam, por exemplo, evitar casos como o do motorista no Rio, Itamar Campos Paiva, acusado de ter agredido uma pedestre com uma barra de ferro na Tijuca.   As afirmações do ministro foram feitas pouco antes de a Câmara dos Deputados votar o projeto de lei que proibia a venda de bebidas alcoólicas nas estradas. A proposta, de autoria do Executivo, foi alterada tanto na Câmara quanto no Senado, tornando menos rígidas as regras de proibição.   Nesta tarde, a Câmara votou um texto um pouco mais rígido do que havia sido aprovado no Senado. A proibição da venda de bebidas em rodovias federais é mantida, exceto nas áreas rurais.   "Vivemos um verdadeiro genocídio", disse o ministro. Ele disse esperar ansiosamente o dia em que toda a sociedade possa aplaudir a edição de normas corajosas, que de fato reduzam o índice de violência no trânsito no País.

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