Ministro da Saúde diz que incêndio em boate em Santa Maria deixou 80 feridos

Prefeitura da cidade, no entanto, informou que 79 pessoas estão hospitalizadas

O Estado de S. Paulo,

28 de janeiro de 2013 | 13h11

SÃO PAULO - Cerca de 80 pessoas estão em estado grave após o incêndio que matou 236 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul. Elas apresentam quadro de intoxicação respiratória e continuam internadas em hospitais de Santa Maria e Porto Alegre. A informação é do ministro da Saúde Alexandre Padilha, que concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira, 28, no Centro Desportivo Municipal.

Padilha informou que 40 feridos estão em hospitais de Santa Maria e outros 39 seguiram para centros de referência no atendimento a queimados em outras cidades, 37 deles em Porto Alegre, ao longo da madrugada desta segunda-feira. Mais remoções devem ocorrer durante o dia.

Os números não batem com os divulgados pela Prefeitura. Segundo a nova recontagem feita pela Defesa Civil, foram confirmadas 236 mortes, mas 79 pessoas internadas na rede hospitalar.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul. Outras 127 ficaram feridas.

A tragédia começou às 2h30 de domingo (27/01), quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Uma fagulha atingiu o sistema de exaustão da casa noturna e o fogo se alastrou rapidamente pelo teto com papelão e material de proteção acústica. A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Uma série de erros potencializou a tragédia. Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Para piorar, seguranças da casa tentaram impedir alguns frequentadores de sair antes de pagar a comanda. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo - eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Ao longo do dia, centenas de manifestações de solidariedade lembraram a tragédia em todo o País. Emocionada, a presidente Dilma Rousseff chorou duas vezes ao falar do caso - ainda no Chile, de manhã, onde deixou um encontro com presidentes, e à tarde, ao lado do governador Tarso Genro, já em Santa Maria.

(Com informações do Zero Hora)

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