Ministro defende debate ''amplo e longo'' sobre proposta para mídia

À frente da pasta das Comunicações sob Dilma, Paulo Bernardo afirmou ser favorável à proposta de diversificar o setor

Karla Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem ser favorável à criação de regras que impeçam a concentração de meios de comunicação em um mesmo grupo. "Eu sou a favor de, tanto quanto possível, desconcentrar, de modo que ela (a mídia) seja o mais diversificada e o mais plural possível", ressaltou o ministro, ratificando o que havia dito na quarta-feira, quando participou do programa 3 a 1, da TV Brasil.

Segundo ele, o projeto sobre o tema será encaminhado ao Congresso Nacional ainda neste ano, mas ele defendeu que, antes disso, seja fechada uma posição dentro do governo federal sobre todas as questões. Depois, essa proposta seria submetida ao debate com a sociedade, por meio de consulta pública.

"As pessoas perguntam quanto de urgência vamos colocar nesse tema. Se o governo quiser fazer esse debate e acertar no tom, acertar na forma, tiver uma boa estratégia, isso vai ser um debate amplo e longo. Se nós errarmos, vai ser um debate curto, pois a proposta será enterrada na primeira curva", alertou.

Para obter êxito, Bernardo defende que a proposta seja embasada não só tecnicamente, mas políticamente e socialmente.

Ao contrário do que disse na TV, o ministro afirmou que a regra que está sendo proposta pelo novo marco regulatório das comunicações não abrange jornais nem qualquer outro tipo de mídia impressa. "O jornal não está nessa discussão. O projeto não trata de mídia impressa: jornal, revista, outdoor, busdoor."

No programa da TV Brasil, Bernardo havia dito que o anteprojeto "propõe que grupos que tenham jornais não tenham televisão, e quem tem jornal não tenha rádio" e que a solução seria remetida para a renovação das concessões, mas que seriam dados prazos para a adaptação.

Bernardo afirmou que consta no anteprojeto a proposta de desconcentração de meios, mas observou que ainda não há uma posição definida. "Me perguntaram se tinha algo sobre propriedade cruzada. Falei que tem e que sou a favor. Agora, nós vamos fechar a posição do governo. O projeto não está pronto", afirmou o ministro.

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