Ed Ferreira/AE
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Ministro depõe na Câmara e sai em defesa de auxiliar preso pela PF

Em audiência a três comissões, Pedro Novais diz que Frederico Costa foi escolha pessoal dele e descarta deixa o cargo

Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2011 | 00h00

O ministro do Turismo, Pedro Novais, saiu ontem em defesa do ex-secretário executivo da pasta, Frederico Silva da Costa. Apontado pela Polícia Federal como um dos envolvidos no esquema de desvio de verbas de emendas parlamentares, Fred, como é conhecido, foi blindado ontem pelo PMDB durante depoimento do ministro a três comissões da Câmara.

O ex-número 2 do ministério foi um dos 36 presos pela Polícia Federal na Operação Voucher, acusado de envolvimento em suposto esquema envolvendo convênios firmados entre a pasta e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi).

Mesmo depois de ser informado da queda do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, Novais negou com veemência que vá deixar o ministério. "Só existem três formas de eu sair do ministério: se a presidente Dilma quiser, se eu deixar de ter apoio do meu partido e se eu adoecer", afirmou. Ao exaltar a competência do ex-secretário executivo, Novais fez questão de dizer que Costa foi uma escolha pessoal.

"O Frederico não foi apresentado nem apoiado nem pelo PMDB, nem pelo PT. Ele foi escolhido pela excelente relação que tinha com as bancadas da Câmara e do Senado, com o Ministério do Planejamento e com a Casa Civil", explicou Novais. "O Fred vinha sendo funcionário do ministério desde 2003. Por que só eu tinha a obrigação de não aceitá-lo, se a ficha dele era ótima para todos, para a Câmara, para o Senado, para a Casa Civil?"

Pressionado pela oposição por sua relação com Costa, Novais afirmou que não se sente "nem traído nem enganado". "Absolutamente. Me sinto como funcionário cumprindo o seu dever e que, quando é informado, toma providências cabíveis. Papel de bobo? Absolutamente. Terei todos os defeitos, menos esse. Decepcionado? Não. Conheço as pessoas, sei como elas são e sou capaz de perdoar quando merecem o meu perdão", disse o ministro.

Esta foi a primeira vez que Novais falou ao Legislativo sobre as denúncias envolvendo o Turismo. Em quase cinco horas, o ministro argumentou que as denúncias levantadas pela Operação Voucher se referem a convênios celebrados em 2009 - ele assumiu no atual governo. Novais admitiu que pode ter ocorrido "alguma coisa" no ministério. "Se houve deslizes, irregularidades, não sei. Mas admito que alguma coisa por ter havido. Mas isso será corrigido e eliminado."

Além de Novais, o líder do PMDB na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN), elogiou Costa e afirmou que chancelou sua indicação ao cargo. O deputado admitiu que Costa foi ao gabinete da liderança do partido na Câmara "duas ou três vezes", a seu pedido. "Eu não conhecia o Fred nem tinha ouvido falar dele. Mas, a partir da hora que ele assumiu o ministério, ouvi de diversos partidos de sua presteza, gentileza", disse. "Por duas ou três vezes, fora do expediente, pedi para que ele pudesse comparecer à liderança do PMDB para tratar de assuntos republicanos."

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