Ministro deve dirigir entidade que abrigará Lula após mandato

Um dos mais antigos assessores do presidente, ele já exerceu função semelhante no Instituto da Cidadania, nos anos 90

, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

Mestre em ciência política, Paulo Vannuchi é um dos assessores mais antigos e mais próximos de Luiz Inácio Lula da Silva. As afinidades são tantas que, após deixar a Presidência em janeiro, o presidente pretende mantê-lo por perto. O ministro vai trabalhar no instituto que Lula planeja criar para se manter na cena pública após deixar o Planalto.

A principal dúvida sobre a futura instituição é se terá caráter nacional ou internacional. O assunto só será resolvido após o término das férias que Lula pretende gozar assim que passar a faixa à sucessora, Dilma Rousseff.

Vannuchi já desempenhou papel semelhante no Instituto da Cidadania, que abrigou Lula nos anos 90. Foi sucessivamente secretário, presidente, tesoureiro, vice-presidente e coordenador executivo daquela instituição.

Acreditava-se que Lula poderia retornar ao Instituto da Cidadania. A recomendação dada a Vannuchi, porém, é para que trabalhe na criação de uma nova instituição. Embora com outra estrutura jurídica, ela herdaria o material acumulado pelo instituto, que será desativado.

Disputas. O antigo colaborador do presidente assumiu a Secretaria de Direitos Humanos em 2005. Deveria ser um mandato tampão, de um ano, mas ele permaneceu cinco no cargo. Nas disputas que teve com Nelson Jobim (Defesa), costumava usar uma linguagem vigorosa, mas quase sempre era obrigado a recuar, a pedido de Lula. Também amargou uma derrota política em 2009, quando o STF considerou válida a interpretação que tem sido dada à Lei da Anistia, de 1979, segundo a qual ela teria beneficiado também os agentes do Estado responsáveis por crimes de violações de direitos humanos na ditadura militar.

Ele saboreou uma vitória, porém, na semana passada, no apagar das luzes do mandato, com a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que desautorizou a interpretação do STF - porque contraria convenções internacionais. É com essa sensação de que fez a coisa certa que o ministro deixa o cargo falando mais duro - como fez ontem em São Paulo.

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