Ministro diz que se transformou em carcereiro e crítica César Maia

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, lamentou, nesta segunda-feira, que tenha se transformado, desde que assumiu o cargo, "em carcereiro e chefe de polícia em tempo integral", mas afirmou que seu ministério continuará a trabalhar no combate ao crime organizado no Riode Janeiro "até que seja debelada esta crise sem precedentes na segurança pública" daquele Estado. "Realmente eu pretendia trabalhar primeiro a reforma do judiciário, mas existem questões que são emergenciais", disse ele, referindo-se à crise do Rio de Janeiro. "Não esperava que logo no início de minha gestão explodissem estas crises de insegurança nos Estados."O ministro contestou as afirmações feitas neste fim de semana pelo prefeito César Maia, do Rio de Janeiro, de que o governo federal estaria "fazendo jogo de cena" e transferindo responsabilidades da União para o Estado."César Maia não está informado e não participou das reuniões (realizadas no fim de semana com agovernadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus). Ao contrário do que diz o prefeito, a própria governadora afirma que o governo federal está colaborando", respondeu o ministro.Bastos reafirmou que Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, não voltará aoRio de Janeiro. "Mesmo que ele tenha que passar apenas 30 dias em São Paulo, nós játemos alternativas estratégicas", antecipou. De acordo com Bastos, o plano de segurança proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é "sólido", mas terá que ser implantado aos poucos."(No combate ao crime organizado) temos que ter várias respostas. O enfrentamento da violência, a resposta da inteligência e o fechamento das portas da lavagem de dinheiro", exemplificou. "Se não conseguir lavar dinheiro, o crime organizado perde sua força, perde o seu impulso."O ministro esteve nesta segunda-feira em São Paulo para falar sobre a reforma do judiciário, na solenidade de abertura das atividades do Tribunal de Alçada do Estado. De acordo com Bastos, a reforma do judiciário é "gênero de primeira necessidade" na proposta de governo do presidente Lula. "Mas nós sequer temos um diagnóstico dos verdadeiros gargalos do judiciário no país", afirmou ele.Bastos antecipou que o seu ministério já tem planejado um amplo projeto de pesquisa,que será submetido ao Congresso, para identificar os pontos de estrangulamento detodas as instâncias do judiciário. "Só a partir disso teremos condições de elaborar umprojeto profundo de reformas", disse ele. O ministro atacou os projetos de lei de reforma do judiciário que tramitam hoje noCongresso e no Senado, e que, segundo ele, teriam sido desfigurados por emendas, ao longo dos últimos dez anos. "A reforma do judiciário não pode pertencer a qualquer grupo, a qualquer tribunal, à qualquer corporação´, avaliou."Estamos firmemente convencidos de que a reforma do judiciário é indispensável na luta contra o crime organizado", afirmou.Veja o especial: Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministérios

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