Ministro do STJ depõe em inquérito sobre bicheiro

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal, prestou depoimento espontâneo nesta quarta-feira à Polícia Federal, em Cuiabá, no inquérito aberto para investigar supostos crimes de tráfico de influência, corrupção ativa, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional no Judiciário.O depoimento do ministro à delegada Mirângela Leite durou quatro horas na superintendência da PF. Vidigal tomou a iniciativa após a divulgação de reportagens sobre a Operação Dilúvio, da Polícia Federal, na qual aparecem seu nome e o do advogado Erick Vidigal, seu filho, em atividades do bicheiro foragido João ArcanjoRibeiro, o Comendador.A PF descobriu conversas de pessoas ligadas a ele com referências a Erick Vidigal. Na gravação, dois irmãos lobistas negociam esquema de"negociação de decisões" no STJ. Irritado, o ministro se disse ?vítima da bandidagem? e condenou o vazamento da conversa telefônica.?Eu estou indignado como qualquer um estaria pela forma irresponsável, canalha e canhestra como tudo isso está sendo processado?, afirmou oministro, que está em Cuiabá proferindo palesta sobre a reforma no Judiciário.O ministro considerou normal a atitude de seu filho, Erick, de atender as pessoas queestavam interessadas em defender o empresário João Arcanjo Ribeiro e seu grupo. ?Ele é um advogado no exercício da profissão?, ressaltou, destacando que sobre os valores tratados na conversa telefônica entre os lobistas ?será um problema que vai ser apurado pela polícia?.?Eu não tenho nada a esconder. A minha vida se fez com lutas, com estudos e com trabalho?, disse o ministro. Em nota, a Polícia Federal informou que o depoimento do ministro será anexado ao inquérito ?como o de várias pessoas que aparecem no relatório de inteligência policial e serão ouvidas em momento oportuno?.

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